Uma pesquisa Datafolha divulgada na 3ª feira (28.jul.2026) mostra que 59% dos eleitores brasileiros consideram que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, agiu mal ao proibir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Outros 36% avaliaram que o magistrado agiu bem. Disseram que ele não agiu nem bem nem mal 2%, enquanto 4% não souberam responder.
O levantamento foi realizado nos dias 22 e 23 de julho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, entrevistados presencialmente em 139 municípios. A margem de erro é de 2 p.p (pontos percentuais) para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-01166/2026.
A mesma pesquisa revela apoio majoritário à manutenção de Jair Bolsonaro em regime domiciliar:
- 59% são favoráveis à medida;
- 35% se opõem;
- 6% não souberam responder.
Além disso, 62% concordam que o ex-presidente não deveria poder usar redes sociais durante a prisão, enquanto 35% defendem o acesso às plataformas e 3% não souberam responder.
Decisão de Moraes e reações
Moraes proibiu Flávio de visitar o pai por 90 dias neste mês. O ministro também suspendeu as visitas dos demais familiares por 30 dias, vetou contatos de natureza político-eleitoral até as eleições e proibiu a divulgação de manifestos.
A decisão foi tomada depois de Flávio ler, durante uma live em 11 de julho, uma carta escrita pelo ex-presidente e anunciar que o texto seria publicado nas redes sociais. No documento, Jair Bolsonaro chamou o filho de seu “porta-voz” e de candidato escolhido para representá-lo.
Moraes avaliou que o episódio violou a ordem judicial que impede o ex-presidente de usar redes sociais, direta ou indiretamente, por meio de terceiros. O ministro concluiu que a fala de Flávio antes da leitura da carta demonstrava que ambos sabiam que o texto seria publicado.
Com a decisão, advogados, médicos e fisioterapeutas continuaram autorizados a visitar Bolsonaro. Flávio, apesar de constar no processo como advogado do pai e de ter tido acesso livre à residência até então, ficou pessoalmente impedido de entrar.
A defesa de Jair Bolsonaro recorreu e sustentou que as restrições ultrapassam a suspensão dos direitos políticos e atingem a liberdade de pensamento. Os advogados também argumentaram que a expressão “visitas com finalidade político-eleitoral”, usada na decisão, é abstrata e não estabelece critérios claros.
Flávio classificou a medida como “ilegal, desproporcional, covarde e cruel” e disse que Moraes tenta interferir nas eleições.
Contexto eleitoral e cenários
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses depois de ser condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes. Ele ficou preso a partir de novembro de 2025 na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e, posteriormente, na Papudinha. Em março de 2026, Moraes autorizou a prisão domiciliar em razão do estado de saúde do ex-presidente, com proibição de usar celular, internet ou redes sociais, inclusive por meio de terceiros. Na residência em Brasília, Bolsonaro vive com a mulher, Michelle, a filha e uma enteada, que não estão submetidas às restrições de visita.
O Datafolha foi a campo antes de o PL oficializar a candidatura de Flávio em convenção realizada no sábado (25.jul). No evento, uma reprodução do ex-presidente feita com inteligência artificial apareceu no telão para pedir que os apoiadores recebessem Flávio como seu sucessor. O presidente argentino, Javier Milei (La Libertad Avanza, direita), também atacou Moraes durante a convenção e reclamou de não ter recebido autorização para visitar Bolsonaro. Flávio foi oficializado sem que houvesse definição do candidato a vice.
O recorte por voto em 2022 revela divisões internas nos 2 campos. Entre os eleitores que declararam ter votado em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2º turno daquele ano, 35% consideram que Moraes agiu mal ao proibir a visita. Já entre os que afirmaram ter votado em Bolsonaro, 32% avaliam que o ex-presidente não deveria poder usar redes sociais durante a prisão domiciliar. As margens de erro são de três pontos percentuais no 1º grupo e de quatro pontos no 2º.
Na mesma rodada da pesquisa, Lula aparece com 48% das intenções de voto em um eventual 2º turno, ante 43% de Flávio. No 1º turno, o presidente registra 40%, enquanto o candidato do PL tem 32%. O cenário de 2º turno permaneceu estável em relação ao levantamento anterior.
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