Os presidentes do PT, Edinho Silva, e do PL, Valdemar Costa Neto, estão tendo de lidar com impasses nas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Palácio do Planalto. Os 2 trabalham para resolver ruídos que surgiram ainda no período de pré-campanha.
Insatisfações dentro dos partidos, embates envolvendo aliados e “fogo amigo” compõem o repertório dos atritos. O Poder360 preparou infográficos que sintetizam os principais conflitos.

No PT, a construção do programa de governo de Lula acendeu o alerta no mercado financeiro. Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, foi designado para coordenar essa parte.
Em 17 de julho, ele se reuniu com nomes do Itaú e levou uma visão expansionista sobre diretrizes econômicas. A Faria Lima, já reticente com o governo Lula pela dificuldade em promover corte de gastos, digeriu mal.
Antes, Gabrielli já tinha ido a público com a perspectiva de ampliar o financiamento do desenvolvimento via bancos públicos, bem como elevar a carga fiscal sobre os que vivem somente de rendas, o que assustou o mercado financeiro.
Edinho, por sua vez, desautorizou o aliado ao dizer que as posições de Gabrielli são individuais e que as propostas estão em construção e ainda serão validadas pelo partido e por Lula.
Numa outra frente, integrantes do PT têm dito que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, é o nome à frente da construção das propostas. Ele está envolvido com os ministros do Planejamento, Bruno Moretti, e da Gestão e Inovação, Esther Dweck.
É uma tentativa de acalmar o mercado. Na 5ª feira (23.jul.2026) e na 6ª feira (24.jul), Durigan fez um périplo no BTG e na XP, respectivamente.
Os entraves no PT também incluem a formação de palanques em Estados como Minas Gerais e Amazonas, a montagem da equipe jurídica e o apoio de Lula a candidaturas em Pernambuco e na Paraíba.
ATRITOS NO PL
Valdemar também precisou lidar com embates envolvendo aliados e com a divulgação na imprensa dos detalhes da relação de Flávio com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O infográfico abaixo sintetiza alguns dos principais conflitos.

O presidente do PL fez diversas declarações públicas depois que o site Intercept Brasil divulgou mensagens em que Flávio Bolsonaro fez cobranças relacionadas a pagamentos de Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em 21 de maio, Valdemar disse que Flávio buscou recursos de origem privada para o projeto cinematográfico e diferenciou a situação de casos envolvendo dinheiro público. “Natural que ele tivesse contato com ele. Quando o Flávio pediu ajuda pro filme, ele tava com tudo regular, não tinha denúncia contra ele. Nós não sabíamos das irregularidades atribuídas a ele, que só vieram à tona posteriormente”, declarou.
Em 25 de maio, depois que veio a público uma visita de Flávio a Vorcaro, Valdemar afirmou que o episódio foi para tentar o “restante do dinheiro” destinado ao filme. Dias antes, Flávio havia dito que visitou o então banqueiro para colocar um “ponto final” na relação.
MICHELLE BOLSONARO
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Valdemar se reuniram em 30 de junho para tentar resolver o atrito causado pela divulgação dos vídeos em que ela diz ter sido “apunhalada” e “humilhada” pelo enteado. Depois do encontro, ela deixou a presidência do PL Mulher. Desde então, sua postulação ao Senado pelo Distrito Federal está suspensa.
Em 14 de julho, Valdemar afirmou que Michelle e Flávio precisam se reconciliar para “unificar o grupo político”.
“O Flávio é culpado também. Ele tem que ter uma boa relação, ele tem que procurar a Michelle. Tem que acertar a vida com ela, porque senão Bolsonaro vai ficar preso mais 10 anos. E se nós ganharmos a eleição, o Bolsonaro no final de janeiro vai estar despachando lá no partido”, disse.
alianças e ruídos
Valdemar precisou lidar com impasses na formação de alianças para as eleições. Em Minas Gerais, o PL ainda não tem candidato ao governo. No Rio, viu o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) serem alvos de operações e ficarem inviabilizados para disputar as eleições. Também não conseguiu apoios em Estados importantes do Nordeste.
O presidente do PL teve ainda que administrar declarações de integrantes do partido e de aliados próximos, como a do jornalista Paulo Figueiredo, que disse que mulheres “votam muito mal”. E também lidar com suas próprias declarações que provocaram ruídos na campanha. Como ao afirmar que a ex-presidente da Caixa , cotada para vice de Flávio, “não tem voto”.

