O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), disse no domingo (26.jul.2026) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta provocar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), para desviar a atenção dos problemas internos do Brasil.
Para Caiado, o chefe do Executivo busca criar atritos no cenário internacional. “O atual presidente quer, de toda maneira, provocar o presidente dos Estados Unidos e alimentar daí um desvio de análise da interpretação da radiografia real que vive o país”, declarou.
A declaração foi feita em entrevista a jornalistas antes da convenção do PSD, que oficializou a candidatura de Caiado à Presidência da República em chapa com o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab. O evento foi realizado no bairro Bela Vista, em São Paulo.
Segundo Caiado, um eventual governo seu adotará uma “diplomacia de alto nível”, para que o Itamaraty volte a “dignificar” o Brasil no cenário internacional. Disse que o país terá condições de “sentar à mesa de negociação com qualquer país no mundo com credibilidade e autoridade”.
O ex-governador também criticou o que chamou de “brigas inúteis” e agressões que, segundo ele, servem apenas para desviar a atenção dos problemas enfrentados pela população.
Quem é Ronaldo Caiado
Aos 76 anos, Ronaldo Caiado tenta voltar ao centro da disputa presidencial. Filiado ao PSD desde março de 2026, depois de deixar o União Brasil, o ex-governador de Goiás escolheu Gilberto Kassab como vice para ampliar a articulação política da campanha e fortalecer o partido na corrida ao Planalto.
Médico ortopedista formado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Caiado tem uma trajetória de 37 anos na política nacional. Foi deputado federal, senador e governou Goiás por 2 mandatos. Agora, tenta disputar novamente a Presidência, cargo pelo qual concorreu pela 1ª vez em 1989.
TRAJETÓRIA E ESTRATÉGIA ELEITORAL
Nos últimos meses, o ex-governador passou a intensificar as críticas a Flávio Bolsonaro (PL). Reagiu às declarações do senador sobre as urnas eletrônicas durante encontro com embaixadores e afirmou que o adversário coloca em dúvida o sistema eleitoral brasileiro diante de representantes estrangeiros. Também declarou que um eventual voto em Flávio ajudaria a reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A estratégia de Caiado começou a ser construída antes do período eleitoral. Em diferentes ocasiões, afirmou que não dependia dos votos dos bolsonaristas para disputar a Presidência e defendeu uma candidatura própria, voltada ao eleitor de centro-direita e ao setor produtivo. O discurso busca ocupar espaço entre eleitores que rejeitam a polarização entre Lula e o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
DESEMPENHO NAS PESQUISAS
Pesquisa PoderData/Aya, divulgada em 16 de julho de 2026, mostra Caiado tecnicamente empatado com Lula em um cenário de 2º turno. O presidente tem 44% das intenções de voto, enquanto o ex-governador aparece com 43%.
Na simulação de 1º turno, contudo, Caiado aparece distante dos líderes. Lula tem 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, 34%. Na sequência, aparecem Renan Santos (6%), Caiado (4%), Romeu Zema (4%) e Augusto Cury (Avante), com 3%.
Os dados foram coletados de 12 a 15 de julho de 2026 por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram realizadas 2.400 entrevistas em 685 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o nº BR-00059/2026.
