O Partido dos Trabalhadores fez uma investida nos últimos meses para que partidos do Centrão –grupo de partidos sem coloração ideológica clara que adere aos mais diferentes governos– adotassem neutralidade na eleição presidencial em 2026. O presidente da sigla, Edinho Silva, esteve à frente dessas tratativas com PP, União Brasil e Republicanos.
Os apoios a um lado e a outro estarão liberados, mas o fato de serem informais limitam o tempo de TV que Flávio teria à disposição.
Na missão para isolar o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, Edinho também contou com a atuação de correligionários e de nomes que integram os partidos de centro. Esse trabalho foi feito para que não haja aliança formal.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), também é um nome citado nessa investida. O que contribuiu para um desfecho positivo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o fato de que alas desses partidos de centro também não tinham interesse em fechar apoio a Flávio, sobretudo no Nordeste.
No Republicanos, o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), e o deputado Silvio Costa Filho (PE) são 2 nomes que trabalham nessa direção pela proximidade com Lula e pela influência do petista na região.
O partido vai definir no sábado (1º.ago.2026) se vai manter neutralidade ou se apoia Flávio. A tendência é seguir independente no plano nacional.
Com isso, os diretórios estaduais terão autonomia para definir seus posicionamentos nas eleições de 2026.
Antes do anúncio, o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira (SP), pretende telefonar para todos os diretórios estaduais para consultar os posicionamentos. O partido combinou com o coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), de encaminhar no sábado (1º.ago.) a decisão –3 dias antes da convenção nacional do Republicanos, marcada para 4 de agosto.
A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos) é o principal nome cotado para ser vice na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro. Caso o Republicanos opte pela neutralidade, a decisão dificulta essa composição, embora integrantes da cúpula da legenda digam não terem sido informados sobre a possibilidade de Daniella integrar a chapa.
União Progressista libera diretórios
A federação União Progressista decidiu que os diretórios estaduais terão autonomia em relação a apoiar a pré-candidatura de Flávio à Presidência da República. Em São Paulo, por exemplo, a seção estadual já declarou apoio ao senador durante evento da federação realizado na 2ª feira (20.jul), na capital paulista.
A decisão foi tomada antes da convenção nacional do PL, que homologou a candidatura de Flávio. Para se chegar a essa definição, houve reuniões promovidas pelos diretórios estaduais da federação.
Na 3ª feira (21.jul), senadores do PP se reuniram, em Brasília, com o presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira (PP-PI), para discutir o tema. A posição ainda será formalizada pela direção da União Progressista.
Lula também conta com aliados do União Brasil e do PP. No Maranhão, os ex-ministros André Fufuca (PP) e Juscelino Filho (União Brasil) são exemplos. Fufuca é o nome do Progressistas que disputará uma vaga no Senado mesmo não estando formalmente alinhado ao PT.
O presidente da federação União Progressista em Pernambuco, deputado Eduardo da Fonte, disse ao Poder360 que tem defendido a neutralidade. O congressista deve disputar o Senado neste ano e prometeu alinhamento a Lula.
Na Bahia, também não é interessante para ACM Neto (União Brasil) que Flávio suba ao seu palanque em razão da força de Lula no Estado. O ex-prefeito de Salvador enfrentará o governador Jerônimo Rodrigues (PT) na disputa pelo Palácio de Ondina.
Além do movimento petista, prevaleceu a vontade do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI). O cacique se chateou com o posicionamento de Flávio depois de ter sido alvo da 5ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 7 de maio.
Na ocasião, Flávio divulgou um comunicado no qual diz que “considera graves as informações divulgadas pela imprensa”.
