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PT lança Haddad em SP em busca de força eleitoral para Lula

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

A convenção do PT em Campinas, neste sábado (25.jul.2026), oficializará a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo e encerrará meses de negociações para formar a principal chapa estadual do partido nas eleições deste ano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará do evento, que a direção petista trata como um marco da estratégia eleitoral da legenda.

Para o PT, São Paulo é o principal campo de disputa nas eleições de 2026. A avaliação do partido é que a campanha no Estado levará ao debate nacional temas como indústria, emprego, tarifas dos Estados Unidos, segurança pública e privatizações.

Com cerca de 22% do eleitorado brasileiro, São Paulo tem o maior colégio eleitoral do país. O Estado é governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais nomes da oposição e possível adversário de Lula na eleição presidencial de 2026.

A convenção oficializará a chapa formada por Haddad para o governo do Estado, Márcio França (PSB) para vice-governador e Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) para o Senado. Também serão homologadas as candidaturas do PT à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

A aliança reúne 7 partidos: PT, PSB, PDT, PC do B, PV, PSOL e Rede. A composição da chapa, no entanto, exigiu meses de negociações entre os partidos.

Haddad resistiu à candidatura

Haddad foi ministro da Educação nos governos Lula e Dilma Rousseff (PT) e prefeito de São Paulo de 2013 a 2016. Em 2018, foi escolhido por Lula para disputar a Presidência da República depois de o então ex-presidente ter a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral. Ficou em 2º lugar no 2º turno, derrotado por Jair Bolsonaro (PL). Em 2023, assumiu o Ministério da Fazenda no governo Lula. Um dos principais aliados políticos do presidente voltou a ser escolhido pelo PT para disputar o governo de São Paulo em 2026.

Inicialmente, Haddad resistiu à candidatura ao Palácio dos Bandeirantes. Defendia disputar o Senado e, depois, manifestou interesse em permanecer na coordenação do programa de governo da campanha presidencial de Lula. A definição só veio depois de sucessivas conversas com o presidente e a direção nacional do PT.

Com a definição de Haddad, as negociações passaram à composição da chapa. Márcio França, cotado para disputar o Senado, foi indicado para a vice-governadoria. Antes do acordo, dirigentes do PT e aliados discutiram outros nomes para a vaga, incluindo um ligado ao agronegócio, em uma tentativa de ampliar o apoio no interior paulista.

PT aposta em temas nacionais

Segundo Kiko Celeguim, deputado federal e presidente do PT em São Paulo, a escolha de Campinas tem significado político por levar a convenção para uma região onde o partido enfrenta mais dificuldades eleitorais. Para ele, a presença de Lula demonstra o peso que o Estado terá na estratégia nacional da legenda.

Na avaliação de Celeguim, parte dos temas que devem marcar a disputa presidencial passa por São Paulo, que concentra setores afetados por questões econômicas e políticas em debate no país. “Por exemplo, o ataque do governo americano com tarifas à nossa política industrial e aos nossos negócios: São Paulo é diretamente atingido. O ataque ao Pix. O mercado financeiro está todo instalado em São Paulo. É a maior cadeia de consumo do país”, afirmou ao Poder360.

Segurança pública e privatizações

Celeguim afirma que esses temas estão entre as principais preocupações do eleitorado paulista, sobretudo no interior, ao lado dos impactos das tarifas na economia, da educação e das críticas às privatizações promovidas pelo governo estadual, como as da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

A segurança pública também será um dos principais alvos das críticas do PT à gestão de Tarcísio de Freitas. Pesquisa Datafolha divulgada em 9 de julho mostra que a falta de policiamento nas ruas é o principal problema de segurança apontado pelos paulistas, citado por 20% dos entrevistados. “Há um clima de insegurança muito grande no estado de São Paulo, sobretudo com relação ao aumento dos feminicídios e à incapacidade do governo de combater o crime organizado”, declarou Kiko.

O vice-presidente nacional do PT, Jilmar Tatto, afirmou que a convenção marcará o início da organização da campanha para o período eleitoral, que começará em 16 de agosto. “Vai ser uma festa bonita, bem organizada, todo mundo unido, todo mundo afiado para tirar o Tarcísio do governo do Estado. E voltar atrás em várias privatizações que foram feitas de forma irresponsável. O maior exemplo agora é o da CPTM e também o da Sabesp”, disse Tatto ao Poder360.

Embora a direção do PT defenda a possibilidade de vitória no 1º turno, as pesquisas mais recentes mostram vantagem de Tarcísio de Freitas. Segundo o Datafolha, divulgado em 5 de julho, o governador tem 46% das intenções de voto no 1º turno, ante 30% de Haddad.