O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta 5ª feira (23.jul.2026) que a nova tarifa adicional de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros representa uma forma de restabelecer a cobrança anterior, que havia sido contestada na Justiça norte-americana. As declarações foram dadas em entrevista à BandNews nesta 5ª feira (23.jul.2026).
Segundo ele, a medida alcança 99% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano e não tem justificativa econômica ou comercial.
Durigan associou a decisão ao compromisso assumido por Trump de restabelecer a cobrança depois dos questionamentos apresentados na Suprema Corte dos Estados Unidos.
“Agora essa tarifa pega 99% das exportações para os Estados Unidos, o que me faz concluir que é um mero expediente para substituir aquela tarifa anterior, que caiu na Suprema Corte dos Estados Unidos. O próprio presidente [Donald] Trump [republicano] disse que daria um jeito de fazer a tarifa voltar. Deram um jeito. Não tem justificativa”, declarou.
O ministro também afirmou que o governo brasileiro rejeita a decisão norte-americana e voltou a dizer que a relação comercial entre os 2 países não sustenta a adoção de novas barreiras tarifárias.
“O governo rechaça, com todas as forças, mais essa tarifa injustificada, unilateral, aplicada a um país que tem renda per capita menor do que os Estados Unidos e tem déficit em relação aos Estados Unidos”, afirmou.
Segundo Durigan, a justificativa utilizada por Washington para ampliar tarifas sobre parceiros comerciais fazia referência ao deficit comercial dos Estados Unidos com outros países, como a China, situação que, segundo ele, não se aplica ao Brasil.
“Se a própria ideia do governo do Trump era proteger do deficit que ele tinha da China, essa lógica para eles não vale para nós.”
O ministro também declarou que o governo brasileiro conduziu as conversas com os Estados Unidos “na maior boa-fé” e disse não encontrar fundamento para a punição comercial imposta ao Brasil. Apesar das críticas, reiterou que o governo continuará buscando uma solução negociada para reduzir os impactos sobre as exportações brasileiras.
