A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) apresentou ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um pacote de medidas para reduzir os efeitos da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. As propostas incluem crédito, incentivos às exportações e mudanças no programa Brasil Soberano.
O presidente-executivo da entidade, José Velloso, afirmou que as medidas foram apresentadas ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante reunião realizada nesta 3ª feira (21.jul.2026).
Segundo Velloso, o pacote foi dividido em 2 frentes. A 1ª busca reduzir o chamado custo Brasil e ampliar a competitividade das empresas. A 2ª propõe ajustes no programa Brasil Soberano, criado pelo governo para apoiar setores afetados pelas tarifas norte-americanas.
Entre as principais propostas estão:
- retomada do Reintegra, com a devolução de parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva para reduzir o custo das exportações;
- criação de linhas de crédito para pré-exportação, a fim de compensar parte dos custos provocados pela tarifa adicional dos Estados Unidos;
- diferimento de tributos federais, com adiamento do pagamento de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep, Cofins e contribuição previdenciária patronal para reforçar o capital de giro das empresas;
- ampliação das ações da ApexBrasil para promover a abertura de novos mercados e reduzir a dependência das exportações aos Estados Unidos;
- prorrogação dos atos concessórios do drawback para empresas que tiveram embarques adiados em razão das tarifas;
- flexibilização dos critérios de acesso ao programa Brasil Soberano, ampliação do período de referência, aumento do número de empresas beneficiadas e redução das taxas de juros;
- isenção do IOF nas operações de crédito vinculadas ao programa;
- retirada da exigência de manutenção do quadro de funcionários como condição para acesso às linhas de crédito;
- aperfeiçoamento dos mecanismos de seguro de crédito para reduzir riscos nas operações de exportação.
Segundo Velloso, as medidas buscam retomar iniciativas que ajudaram a ampliar as exportações do setor. A entidade também defende regras mais amplas no programa Brasil Soberano para permitir o acesso de um número maior de empresas. “Viemos trazer propostas para reeditar aquilo que fez com que as nossas exportações aumentassem e trazer mais propostas para aumentar a competitividade do setor”, disse.
DIVERSIFICAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES
A Abimaq também defende a diversificação dos destinos das exportações. Canadá, Emirados Árabes Unidos e Japão estão entre os mercados considerados prioritários pelo setor para reduzir a dependência das vendas aos Estados Unidos.
A entidade se posicionou contra uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta às tarifas norte-americanas. Segundo Velloso, esse entendimento é compartilhado por grande parte do empresariado brasileiro, que avalia que uma retaliação comercial não resolveria o impasse e poderia prejudicar as relações econômicas entre os 2 países.
O governo analisa as propostas antes da entrada em vigor da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Executivo poderá editar uma MP (medida provisória) para reduzir os efeitos das tarifas e preservar a atividade econômica.
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