A corrida das empresas para incorporar IA (inteligência artificial) aos negócios pode acabar aumentando custos em vez de elevar a produtividade, quando a tecnologia é adotada sem um objetivo claro.
O alerta é da vice-presidente de Operações e Clientes da Druid, Michele Bastos Lage Ferreira. Segundo ela, organizações que entram na onda da IA só porque o mercado está fazendo o mesmo tendem a substituir um custo por outro sem capturar ganhos efetivos.
A declaração foi dada ao Poder360 em entrevista gravada em Brasília na 4ª feira (9.jul.2026).
Assista aqui a entrevista completa (36min04s):
Michele tem 49 anos e mais de 27 de experiência nos setores de tecnologia e telecomunicações. Passou por empresas como Vivo, TIM e Century, onde liderou áreas de transformação digital, governança, operações e experiência do cliente.
Em 2026, assumiu a área comercial da Druid durante a expansão da empresa e o lançamento do Fast Forward Engineering, metodologia baseada em inteligência artificial para acelerar o desenvolvimento de sistemas críticos.
Para a executiva, o maior erro das empresas é começar a discussão pela tecnologia. Ela afirmou que a prioridade deve ser compreender quais problemas precisam ser resolvidos e quais resultados o negócio pretende alcançar.
“É muito menos do como e muito mais do por que e para que”, declarou. Segundo Michele, revisar processos antigos é condição para aproveitar o potencial da inteligência artificial, já que muitas empresas continuam carregando práticas que fizeram sentido no passado, mas deixaram de agregar valor.
DESAFIOS
A executiva também deu ênfase aos desafios da modernização de sistemas legados, ainda presentes em setores como telecomunicações, indústria, varejo e agronegócio. Segundo ela, substituir essas plataformas exige planejamento para garantir a continuidade da operação.
Na avaliação de Michele, a inteligência artificial deve ser utilizada para ampliar a capacidade das pessoas, e não para substituí-las. Ela afirmou que atividades repetitivas podem ser automatizadas, liberando os profissionais para tarefas de análise, criatividade e solução de problemas.
Ao comentar o cenário brasileiro, a executiva disse que o país ainda enfrenta limitações de infraestrutura, principalmente pela escassez de data centers locais, e defendeu o avanço de iniciativas para ampliar essa capacidade.
Para ela, empresas que desejam acelerar a transformação digital precisam buscar parceiros estratégicos, e não só fornecedores de tecnologia. “A tecnologia nunca é fim. É sempre meio de resolver problemas reais de pessoas reais”, declarou.


