O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou, nesta 6ª feira (17.jul.2026), que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante do novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos é buscar a abertura de novos mercados internacionais.
Alckmin voltou a classificar a sobretaxa de 25% adotada por Washington, anunciada na 4ª feira (15.jul), como “injusta e descabida“, argumentando que os norte-americanos mantêm um superavit comercial com o Brasil, o que tornaria a taxação infundada.
“Nós não saímos da mesa de negociação, a negociação é permanente. Nós vamos defender o interesse do Brasil, o emprego, as empresas, a economia permanentemente. Essa é a orientação do presidente Lula. A outra é buscar novos mercados, e está indo bem”, afirmou Alckmin em entrevista à GloboNews.
O vice-presidente declarou que o comércio exterior do país segue em expansão e citou o recorde de US$ 348 bilhões em exportações globais, obtido em 2025, e o desempenho registrado no 1º semestre de 2026.
Como alternativas de escoamento, o Alckmin citou os acordos comerciais firmados pelo Mercosul com Cingapura, com a Efta (Associação Europeia de Livre Comércio) e com a União Europeia, além de negociações em curso para ampliar as linhas preferenciais de comércio com Canadá, Japão, México e Emirados Árabes Unidos.
NOVA MEDIDA
A nova alíquota de 25% foi oficializada pelo governo do presidente Donald Trump na 4ª feira (15.jul.2026), depois da conclusão de uma investigação comercial baseada na Seção 301. A taxação entra em vigor em 22 de julho de 2026, com um prazo de tolerância até 29 de julho para o desembaraço aduaneiro de mercadorias que já se encontram em trânsito marítimo ou aéreo.
Estão isentos da nova cobrança itens tradicionais da pauta de exportação brasileira, como carne bovina e café.

A Casa Branca justificou a barreira tarifária alegando a existência de vantagens consideradas desleais por parte do Brasil em temas como comércio digital, pagamentos eletrônicos, desmatamento ilegal e o mercado de etanol.
O governo brasileiro estima que a nova tarifa deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o que representa um impacto de aproximadamente US$ 7 bilhões.
A barreira tarifária foi oficializada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), baseada na investigação da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração, iniciada em julho de 2025 e encerrada em junho de 2026, alegou a existência de vantagens comerciais desleais do Brasil em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, etanol, desmatamento e no Pix. O governo brasileiro contesta todas as acusações.
A avaliação técnica de Brasília é que o uso da Seção 301 reduz o espaço para uma contestação ou reversão judicial imediata nos tribunais norte-americanos.
Nesta, 6ª feira, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) propôs ao governo federal uma 7ª missão transitória no programa “Nova Indústria Brasil”. O objetivo é criar um grupo de trabalho multissetorial, com o governo, indústrias e sindicatos, para mitigar os impactos do novo tarifaço dos EUA sobre os produtos brasileiros.
1º TARIFAÇO
As primeiras taxas impostas pelos Estados Unidos entraram em vigor em 2 de abril de 2025. Trump estabeleceu tarifas recíprocas com alíquota inicial de 10% para 125 países, incluindo o Brasil. Ao todo, 185 países e territórios foram afetados pela medida, que, segundo a Casa Branca, buscava reduzir o déficit comercial norte-americano.
Na época, Trump afirmou que a taxação era necessária porque “cidadãos norte-americanos trabalhadores foram forçados a ficar à margem enquanto outras nações enriqueciam e se tornavam poderosas”.

Em 15 de novembro de 2025, Washington formalizou a redução das tarifas de importação sobre carne bovina, café, tomate e banana, entre outros produtos. O decreto assinado por Trump revogou a tarifa recíproca de 10% imposta em abril, mas manteve uma taxa adicional de 40%, decretada em agosto.
Cinco dias depois, em 20 de novembro de 2025, os Estados Unidos revogaram a tarifa de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros, como carne, café e frutas. Essa foi a última medida adotada em 2025 em relação ao Brasil.
Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu —por 6 votos a 3— que as tarifas globais impostas por Trump eram ilegais. No mesmo dia, o presidente assinou um decreto para impor uma tarifa global de 10% a todos os países.

