O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu, nesta 4ª feira (15.jul.2026), o direcionamento de verbas públicas realizado pelo presidente de seu partido, Valdemar Costa Neto. O congressista afirmou que não há irregularidades nas indicações e questionou a conduta da investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal.
A declaração foi feita depois de o ministro Flávio Dino determinar a suspensão das emendas e o bloqueio de R$ 119 milhões das contas de Costa Neto. O magistrado justificou a medida com base em indícios de atuação coordenada entre funcionário da Câmara e Valdemar para desviar recursos.
Ao defender a legalidade das indicações em entrevista ao podcast Flow, Flávio afirmou que pedir a deputados para destinarem verbas a municípios com capacidade de execução é uma prática legal e que não há elementos que configurem corrupção.
O senador também contestou a imparcialidade das ações judiciais, declarando que os inquéritos e as medidas cautelares miram majoritariamente parlamentares de direita. Os advogados de Valdemar Costa Neto, por sua vez, classificaram a indisponibilidade de bens como “prematura“, negaram as irregularidades e sinalizaram o impacto da decisão durante o período eleitoral.
“Quem tomou a decisão [Flávio Dino] você acha que faria o mesmo com o presidente do PT? Por que ele está com esse inquérito aí investigando emendas parlamentares e as ações são sempre contra deputados de direita? Não tem deputado de esquerda fazendo merda?”, afirmou o senador.
O caso decorre da Operação Transparência, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2025 para apurar possíveis desvios na distribuição de emendas orçamentárias.
O STF informou em despacho que documentos e mensagens apreendidos indicam que Costa Neto influenciava o destino do dinheiro público por meio de funcionários da Câmara, mesmo sem exercer mandato eletivo. Dino declarou que, embora a falta de transparência e rastreabilidade no Orçamento não seja automaticamente crime, os indícios apontam para possível prática de peculato-desvio.
CRÍTICAS A RESTRIÇÕES
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou também as restrições impostas ao pai pelo STF e afirmou que elas visam a dificultar a atuação da defesa jurídica e o contato da família com Bolsonaro. Para o senador, as medidas integram uma sequência de decisões do ministro Alexandre de Moraes que, em sua avaliação, configuram perseguição política.
Segundo Flávio, Moraes trata Bolsonaro como um “sequestrado em cativeiro”. Com a decisão do ministro, na 2ª feira (13.jul), o senador só poderá visitar o pai presencialmente depois do 1º turno das eleições de 2026.
O senador afirmou atuar como advogado constituído no processo e disse participar da elaboração da estratégia jurídica da defesa. De acordo com ele, as regras de visita foram modificadas após sua habilitação nos autos.
Na entrevista, o senador classificou como “desumana” a proibição de visitas e comparou a situação do ex-presidente à de outros presos. “Se o Oruam quiser visitar o Marcinho VP, que é pai dele, ele pode. Já o presidente Bolsonaro, que é inocente, enfrenta essa restrição”, disse.
Moraes suspendeu a autorização depois de Flávio divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente. O senador gravou um vídeo lendo o documento, em que Bolsonaro apresentou o filho como seu pré-candidato à Presidência e pediu apoio a ele nas eleições. A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta 4ª feira (15.jul.2026), que não sabia que a carta em que pede apoio ao senador seria divulgada nas redes sociais do filho.
Segundo Flávio, Moraes e Dino são dois ministros da 1ª turma do STF que tentam afetar “diretamente” as eleições de outubro.
