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Tarifaço vira munição do PT para desgastar Flávio com “TariFlávio”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

O PT definiu na noite de 3ª feira (14.jul.2026) a estratégia de comunicação para reagir à decisão do governo Donald Trump (Partido Republicano) sobre a tarifa de 25% contra produtos brasileiros. Com a confirmação da sobretaxa nesta 4ª feira (15.jul), a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai investir ainda mais no “TariFlávio”, associando o episódio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

O material foi preparado antecipadamente porque o partido e o Planalto consideravam praticamente certa a manutenção da tarifa. Embora a decisão ainda não tenha sido oficializada pelos Estados Unidos, o governo Lula já trabalha com a expectativa de que taxa será confirmada e aguarda apenas a publicação do ato da Casa Branca.

Havia peças prontas para 3 cenários: suspensão da medida, considerada “impossível”; adiamento, visto como “improvável”; e aplicação da sobretaxa, tratada como o desfecho mais provável. 

Com a sobretaxa, a estratégia é sustentar que a investigação, que acarretou nas tarifas, foi impulsionada pela articulação da família Bolsonaro com aliados de Trump nos Estados Unidos.

A estratégia também resgata o histórico do episódio. Em 2025, Eduardo Bolsonaro apoiou o 1º tarifaço anunciado por Trump ao defender que a pressão econômica poderia favorecer a anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na época, a posição foi criticada até por aliados da direita, entre eles Tarcísio de Freitas e o próprio Flávio Bolsonaro.

Agora, a campanha do presidente pretende explorar a viagem de Flávio aos Estados Unidos. O senador participou de audiência pública promovida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), na qual pediu que Washington adiasse a aplicação da tarifa de 25% para depois das eleições brasileiras e defendeu uma negociação com um eventual governo dele. 

A campanha explorará a tese de que o senador apostava no desgaste político de Lula com a entrada em vigor das tarifas. A avaliação é de que a viagem reforça a narrativa de que Flávio tentou se apresentar como o único interlocutor capaz de resolver o impasse tarifário.

Em 2 de junho, com a conclusão preliminar da investigação comercial, o Planalto chegou a chamar a família Bolsonaro de “falsos patriotas” por atuarem, segundo o governo, contra os interesses brasileiros. Leia a íntegra (PDF-164 kB).

O governo optou por não enviar representantes políticos aos Estados Unidos para acompanhar a decisão do USTR. Para o Planalto, uma participação direta poderia dar legitimidade a um processo considerado sem fundamento jurídico e politicamente motivado.

Reservadamente, auxiliares de Lula também afirmam que a Casa Branca tem interesse em deixar uma negociação ampla sobre as tarifas para depois da eleição presidencial. A leitura é que Washington considera mais favorável discutir o tema com um eventual governo alinhado aos interesses norte-americanos do que com a atual gestão.

A investigação foi aberta pelos Estados Unidos em julho de 2025 com base na Seção 301 para apurar supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos. Além de questões tarifárias, o processo envolve temas como Pix, comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento. O governo brasileiro contesta todas as alegações. 

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