O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) aprovou nesta 3ª feira (14.jul.2026) o aumento do percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina de 30% (E30) para 32% (E32). A nova regra valerá por 180 dias e poderá ser prorrogada uma única vez por igual período. A decisão foi tomada em reunião do colegiado, presidido pelo ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia), com a participação de representantes de 18 ministérios.
A medida já havia sido definida pelo governo há meses e chegou a ser anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e pelo próprio Silveira. Faltava apenas a aprovação formal do CNPE, responsável por formular a política energética do país.
O avanço para o E32 passou a ser defendido por integrantes do Planalto como uma medida para reforçar a soberania energética. O governo argumenta que o aumento da participação dos biocombustíveis reduz a dependência de gasolina importada e aproxima o país da autossuficiência no abastecimento. A discussão ganhou força depois dos impactos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado de combustíveis.
Segundo estimativas do governo, a ampliação da mistura reduzirá em 450 milhões de litros a necessidade de importação de gasolina. O Planalto também afirma que a medida tem impacto ambiental positivo, por ampliar o uso de um combustível renovável e reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor de transportes.
COMBUSTÍVEL DO FUTURO
O aumento da mistura eleva o teor de etanol anidro na gasolina comercializada ao consumidor. A medida está prevista na Lei do Combustível do Futuro, sancionada em outubro de 2024, que estabelece uma ampliação gradual, desde que haja viabilidade técnica comprovada por testes.
A lei também autoriza o aumento da mistura de biodiesel no diesel, atualmente em 15% (B15). O governo anunciou na 2ª feira (13.jul.2026) o início dos testes para misturas de 16% (B16) a 25% (B25).
PRESSÃO PELO E32
Integrantes do Congresso, associações, empresas e representantes do setor de biocombustíveis intensificaram nos últimos meses a pressão pela adoção imediata do E32 e pelo aumento da mistura de biodiesel no diesel. Assim como o governo, defendem que o país reduza a dependência da importação de combustíveis, sobretudo em períodos de instabilidade internacional, como a guerra entre Irã e Israel.
Representantes do setor sucroenergético se reuniram com o presidente Lula em junho para tratar da medida. O aumento da mistura beneficia diretamente a indústria de biocombustíveis, que ampliará sua participação no mercado nacional com o crescimento da demanda por etanol.
A medida também interessa a parte do agronegócio, já que a maior parcela dos biocombustíveis produzidos no país tem como matéria-prima cana-de-açúcar, milho, óleo de soja e outros produtos agrícolas.
CNPE ADIOU DECISÃO 4 VEZES
A análise do E32 pelo CNPE foi adiada quatro vezes. O tema estava na pauta da reunião marcada inicialmente para 7 de maio, remarcada para 11 de maio e posteriormente cancelada. Na ocasião, Silveira viajou com o presidente Lula para um encontro com Donald Trump.
Depois dos dois adiamentos de maio, uma nova reunião foi marcada para 24 de junho, mas também foi adiada na véspera. O Ministério de Minas e Energia alegou “motivos de agenda”.
Dias depois, o encontro foi reagendado para 8 de julho e voltou a ser cancelado poucas horas antes. Segundo o Planalto, a escalada do conflito no Oriente Médio levou o governo a reavaliar os impactos sobre o mercado de combustíveis. Como mostrou o Poder360, porém, a Petrobras pressionou a Casa Civil para adiar a decisão.
