O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta 2ª feira (13.jul.2026) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, tenta “interferir nas eleições deste ano” ao suspender, por 90 dias, visitas ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A medida foi determinada depois que o senador divulgou nas redes sociais uma carta em que Jair declara apoio à sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.
Durante uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube, Flávio classificou a decisão como “algo totalmente desproporcional” e disse que a justificativa apresentada por Moraes é “fajuta”. Segundo o senador, a restrição deixa Bolsonaro “incomunicável” até o fim do 1º turno das eleições.
“O filho não pode visitar o pai por 90 dias. Alexandre de Moraes quer interferir nas eleições deste ano”, declarou.
PROIBIÇÃO
Na decisão, Moraes afirmou que Flávio utilizou o direito de visita para obter uma carta assinada por Bolsonaro “com a exclusiva finalidade de divulgá-la nas redes sociais”, em descumprimento da medida cautelar que proíbe o ex-presidente de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
O ministro também determinou que a defesa de Bolsonaro esclareça se ele tinha conhecimento da divulgação do documento.
“sentimento de injustiça”
Flávio contestou o entendimento do magistrado e questionou o prazo da restrição. “Qual o critério de 90 dias?”, perguntou. Também afirmou haver um “grande sentimento de injustiça” e disse que Moraes busca uma justificativa para agravar as medidas impostas ao ex-presidente.
O senador argumentou ainda que esta foi a 5ª carta atribuída a Bolsonaro tornada pública desde o início das restrições judiciais. Segundo ele, as 4 anteriores, incluindo mensagens divulgadas por Michelle Bolsonaro e manifestações sobre eleições regionais, não motivaram qualquer reação do STF.
“Qual a diferença de eu publicar na minha rede, de publicar na rede da Michelle ou de publicar em qualquer blog?”, afirmou.
Flávio disse que a única diferença entre os episódios anteriores e a divulgação da carta do último sábado (11.jul) é o conteúdo político da mensagem, na qual Bolsonaro o apresenta como pré-candidato à Presidência e seu “porta-voz”. Para o senador, Moraes “só quer uma desculpinha” para tirar Jair Bolsonaro da prisão domiciliar.
A decisão de Moraes também cita uma live realizada por Flávio depois da divulgação da carta. Segundo o ministro, a transmissão indica que Bolsonaro tinha conhecimento prévio da publicação do documento, circunstância que deverá ser esclarecida pela defesa do ex-presidente.
