O crescimento expressivo dos registros de operações suspeitas comunicadas ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) mostra uma mudança silenciosa, mas profunda, no ambiente de negócios brasileiro. Mais do que atender a exigências regulatórias, empresas de diferentes setores passaram a tratar o compliance como um componente essencial da gestão de riscos, da governança corporativa e da construção de confiança nas relações comerciais.
De 2015 a 2024, o volume de comunicações de operações suspeitas enviadas ao Coaf cresceu 766,6%, passando de 296.183 para 2.566.713. No mesmo período, os RIFs (relatórios de inteligência financeira) emitidos pelo órgão aumentaram de 4.304 para 18.762.
Os dados refletem não só o fortalecimento da capacidade de monitoramento e fiscalização, mas também a evolução tecnológica do sistema financeiro. Esta é impulsionada pela digitalização dos serviços financeiros, expansão dos meios eletrônicos de pagamento e pelo aperfeiçoamento dos mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.
Esse cenário tornou o ambiente regulatório mais sofisticado e elevou as expectativas sobre a capacidade das empresas de conhecer clientes, parceiros e fornecedores. Como consequência, o compliance deixou de ser uma atividade restrita às áreas jurídica e regulatória para influenciar decisões comerciais, processos de contratação, abertura de contas, operações financeiras e estratégias de expansão para novos mercados.
Ao mesmo tempo, investidores, instituições financeiras e grandes empresas passaram a exigir programas de integridade cada vez mais robustos como condição para estabelecer relações comerciais. Demonstrar maturidade em governança e gestão de riscos deixou de representar só conformidade regulatória e passou a ser um diferencial competitivo capaz de fortalecer a reputação, ampliar oportunidades de negócio e facilitar o acesso a novos mercados.
Nesse contexto, práticas como KYC (know your customer ou “conheça seu cliente”), KYB (know your business ou “conheça seu negócio”), due diligence de terceiros (investigação de pessoas e empresas para garantir a integridade), além do monitoramento contínuo, consolidaram-se como instrumentos permanentes de gestão de riscos.
O modelo tradicional, baseado em verificações realizadas no momento do cadastro, tornou-se insuficiente diante da velocidade com que informações relevantes podem mudar.
Alterações societárias; mudanças de UBOs (Ultimate Beneficial Owner ou beneficiário final, pessoa física que detém o controle real ou se beneficia das operações de uma empresa); inclusão de PEPs (pessoas politicamente expostas, que são agentes públicos que tenham desempenhado cargos, empregos ou funções nos últimos 5 anos); novos processos judiciais; sanções nacionais e internacionais ou notícias de mídia negativa podem surgir ao longo de todo o relacionamento comercial, exigindo acompanhamento contínuo.
Leia o infográfico sobre mecanismos de monitoramento.

A tecnologia tem desempenhado um papel decisivo nessa transformação. A integração de diferentes bases de dados, aliada à automação e ao uso crescente de inteligência artificial, permite reduzir o tempo necessário para análises, diminuir falsos positivos e direcionar as equipes para investigações que realmente exigem avaliação humana.
Ao mesmo tempo, a adoção de plataformas especializadas de compliance e inteligência de dados tem permitido que organizações transformem grandes volumes de informações em decisões mais rápidas, consistentes e seguras. O compliance evolui, assim, de uma atividade predominantemente operacional para uma função estratégica apoiada por tecnologia.
“Nos últimos anos, observamos uma mudança importante. Antes, as empresas realizavam verificações pontuais para atender a exigências regulatórias. Hoje, o compliance tornou-se um processo contínuo de inteligência sobre clientes, parceiros e operações. Quem consegue transformar dados em confiança toma decisões melhores, reduz riscos antes que se materializem e fortalece a competitividade”, afirmou Bruno Zago, CEO da Cedro Technologies.
Essa transformação também acompanha a evolução do próprio mercado financeiro. A digitalização dos serviços, a expansão do open finance, o crescimento das transações em tempo real e o aumento das integrações entre instituições ampliam a necessidade de controles automatizados, monitoramento contínuo e análises cada vez mais inteligentes. Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser apenas um suporte operacional e passa a atuar como infraestrutura crítica para a gestão de riscos e conformidade regulatória.
A tendência é que esse movimento se intensifique nos próximos anos. A ampliação das relações comerciais internacionais, o avanço da inteligência artificial, a evolução das exigências regulatórias e o aumento da velocidade das operações devem tornar o compliance mais integrado à estratégia corporativa.
Mais do que evitar penalidades, empresas que estruturam programas modernos de compliance conseguem acelerar processos de negócio, fortalecer a confiança junto a clientes e investidores, reduzir riscos operacionais e criar bases mais sólidas para um crescimento sustentável.
Em um ambiente econômico marcado pela crescente complexidade regulatória e pela velocidade das transformações, a confiança tornou-se um ativo estratégico. E, cada vez mais, o compliance, impulsionado por tecnologia, dados e inteligência, é o elemento que permite às organizações construir essa confiança de forma consistente, escalável e preparada para os desafios do futuro.
Este conteúdo foi produzido e pago pela Cedro Technologies. As informações e opiniões divulgadas são de total responsabilidade do autor.

