O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos). A decisão foi publicada em 6 de junho, mas se tornou pública neste domingo (12.jul.2026). A medida é um desdobramento de investigação sobre direcionamento de emendas pelo ex-congressista, mesmo sem exercer mandato no Congresso. Leia a íntegra (PDF – 488 kB).
Segundo a Polícia Federal, Cunha atuava como um “vetor relevante” na definição e no remanejamento de emendas através da funcionária da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca.
A análise de mensagens entre os 2 mostra que o ex-deputado coordenava diretamente a destinação de ao menos 29 emendas da Comissão de Saúde da Casa no valor de R$ 6,15 milhões.
“Em várias passagens, o ex-deputado revela contar com uma cota informal de valores, que era direcionada conforme as diretrizes e interesses políticos no Estado de Minas Gerais. Várias foram as trocas de municípios e indicações, tudo conforme diretrizes repassadas diretamente pelo ex-deputado”, afirma Dino na decisão.
As emendas eram destinadas a cidades de Minas Gerais, onde Cunha pretende se lançar candidato a deputado federal nas próximas eleições.
As investigações indicam que Tuca era o braço direito do ex-deputado e ignorava os fluxos formais para cumprir as determinações de Cunha.
“As mensagens mostram que Eduardo Cunha aparentava manter atuação típica de líder partidário integrante da Câmara, mesmo não sendo deputado. Fialek, por sua feita, contava com aval para operacionalizar as demandas do ex-parlamentar”, diz Dino.
Além do bloqueio dos valores, o ministro também suspendeu a execução de todas as emendas investigadas. Dino intimou a Câmara a fornecer no prazo de 10 dias todos os documentos de tramitação interna dos recursos citados na investigação.
Segundo o ministro, a falta de transparência e rastreabilidade no repasse das emendas fere os princípios constitucionais da administração pública. Dino afirma que a conduta se configura, a princípio, como crime de peculato.
Na última semana, o ministro também bloqueou bens do presidente do Partido Liberal Valdemar Costa Neto pelo direcionamento de emendas mesmo sem ter mandato.
O Poder360 procurou o ex-deputado Eduardo Cunha para perguntar se ele gostaria de se manifestar sobre a decisão do ministro Flávio Dino. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
