O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou na 6ª feira (10.jul.2026) a soltura do ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Márcio Canella (União Brasil), preso na 3ª feira (7.jul) pela PF (Polícia Federal).
Pré-candidato ao Senado no Rio, o ex-prefeito cumprirá medidas cautelares. Terá que usar tornozeleira eletrônica, entregar o passaporte e fica com o porte de arma suspenso. Canella estava preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, conhecido como Bangu 8, na zona oeste do Rio. Poderá responder em liberdade.
O político foi detido em flagrante por agentes da PF durante a 6ª fase da operação Unha e Carne, que mira uma organização criminosa investigada por usar uma rede de postos de combustíveis na região metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro, com participação de agentes públicos. O esquema teria movimentado R$ 7,6 bilhões, segundo as investigações.
Os policiais encontraram um fuzil calibre .556 dentro do carro de Canella. Segundo o ex-prefeito, a arma pertencia ao policial militar que faz sua segurança.
“Um dos alvos da operação, investigado como braço político do grupo, foi preso em flagrante pelo crime de possuir ou portar arma de fogo de calibre restrito, após os policiais encontrarem um fuzil .556 no interior de seu veículo”, disse a PF em nota.
Márcio Canella foi prefeito do município de Belford Roxo de 2025 até abril de 2026, quando deixou o cargo para disputar uma vaga ao Senado. Antes disso, foi deputado estadual no Rio por 3 mandatos. Ele negociava com o PL para compor a chapa do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Estado.
OPERAÇÃO UNHA E CARNE
A operação Unha e Carne teve 5 fases anteriores, realizadas de dezembro de 2025 a julho de 2026. No início, a investigação apurava o vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais contra o CV (Comando Vermelho) no Rio de Janeiro. Com o avanço das apurações, o caso passou a incluir suspeitas de ligação entre agentes públicos e integrantes de organizações criminosas.
A 1ª fase teve como alvo o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União Brasil-RJ). Em desdobramentos posteriores, a PF prendeu o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto e voltou a prender Bacellar, em Teresópolis (RJ), por decisão do STF, depois da cassação de seu mandato.
As fases seguintes apuraram fraudes em contratos da Seeduc (Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro) e avançaram sobre investigados ligados à contravenção.
Na 5ª fase, deflagrada na 5ª feira (2.jul.2026), a PF prendeu o pastor Marcio Poncio e cumpriu mandados contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e contra Bacellar. O STF determinou 3 mandados de prisão preventiva, 14 de busca e apreensão e o bloqueio de cerca de R$ 22 milhões em bens e valores dos investigados.
Leia mais:
