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Exposição no RJ apresenta obras de herdeiros de Conceição dos Bugres

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

A exposição “Sobre bugres e totens: a arte de Sotera Sanches e Mariano Neto” foi inaugurada em 9 de julho na Sala do Artista Popular do Museu de Folclore Edison Carneiro, no Rio de Janeiro. A entrada é gratuita.

A mostra apresenta o trabalho do neto e da nora da escultora de origem indígena Conceição Freitas da Silva Antunes (1914-1984), conhecida como Conceição dos Bugres.

Nascida no Rio Grande do Sul, a artesã tornou-se referência em Mato Grosso do Sul ao esculpir figuras indígenas em madeira. Hoje, suas peças integram acervos de instituições como o Masp (Museu de Arte de São Paulo) e o Museu Afro Brasil.

Depois da morte de Conceição, o marido, Abílio Freitas da Silva, deu continuidade à obra. Atualmente, a tradição é mantida pelo neto, Mariano Neto, e por sua mãe, Sotera Sanches.

Segundo a pesquisadora da mostra, Flávia Klausing Gervásio, Mariano auxiliava a avó na fabricação das esculturas desde a infância. “Depois da morte de Conceição e do Abílio, ele resolveu continuar essa produção familiar. Passou a produzir só os bugres”, disse à Agência Brasil.

Sotera Sanches também confecciona os tradicionais bugres, mas apresenta uma produção autoral de totens –rostos entalhados em madeira crua, sem adição de cera ou tinta. A exposição no Rio trará esculturas de parede feitas por ela.

COMÉRCIO JUSTO E HISTÓRICO

As obras expostas poderão ser adquiridas pelo público durante a mostra e, posteriormente, na loja do museu. Os preços são definidos pelos próprios artistas, baseados na lógica do comércio justo. O objetivo não é encarecer o produto, e apenas uma pequena porcentagem é reservada para a administração da loja.

“É uma forma de apoio”, afirmou Flávia Gervásio sobre o envio contínuo de obras pelos artesãos mesmo depois do fim da exposição.

Na década de 1970, o trabalho de Conceição dos Bugres foi documentado fotograficamente pelo CNFCP (Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular), unidade do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) que abriga o museu. Parte desse acervo fotográfico integrará o catálogo da atual exposição.

O museu realiza exposições de artistas populares de todo o país há mais de 40 anos, renovando a cada 3 meses as mostras para garantir a diversidade regional e de técnicas.

Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 7 de julho de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

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