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Valdemar direcionou R$ 119 milhões em emendas mesmo sem mandato, diz PF

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Valdemar direcionou R$ 119 milhões em emendas mesmo sem mandato, diz PF

A Polícia Federal encaminhou ao ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), relatório indicando que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, direcionava emendas parlamentares mesmo sem mandato legislativo. Segundo as investigações, há indícios de que assessoras da Câmara dos Deputados recebiam as indicações diretamente do presidente da legenda tratando-o como líder de bancada.

Com base nas investigações, Dino determinou o bloqueio do pagamento de R$ 119 milhões em emendas parlamentares que podem ter sido direcionadas por Valdemar Costa Neto.

A principal personagem do esquema, segundo a PF, é a ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL) Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Os investigadores afirmam que ela operacionalizava um “arranjo informal envolvendo servidores distribuídos em setores da Câmara dos Deputados”.

O relatório afirma que ela recebeu uma planilha com valores de emendas que foram indicadas por Valdemar. Nas conversas trocadas com o advogado da liderança do PL na Câmara, Garigham Amarante Pinto, Tuca acerta indicar R$ 24 milhões em emendas destinadas a municípios sob o direcionamento do “turismo”.

“As mensagens revelam que Garigham agenda reuniões pessoais com Valdemar, informa os resultados desses encontros e retorna com orientações específicas, tais como a concentração dos recursos em determinada função orçamentária ou a fixação de montantes previamente definidos, como o valor de aproximadamente R$ 24 milhões reiteradamente mencionado”, afirmaram os agentes no relatório encaminhado ao STF.

A apuração indica que os funcionários da Câmara sabiam da “clandestinidade” da atuação. A investigação também menciona a assessora Nara Benedetti Nicolau Brum, lotada na liderança do PL, que encaminhava as planilhas e delimitava os limites regimentais para os valores, comunicando possíveis entraves administrativos.

Ao determinar o bloqueio dos valores, o ministro Flávio Dino considerou que a atuação que os funcionários da Câmara dos Deputados “parecem atribuir ao investigado Valdemar Costa Neto contrasta com a ausência de título jurídico que lhe permita dispor do orçamento público”. Leia a íntegra da decisão (PDF – 457 kB).

Para o relator, Costa Neto parece ter sido o mandante do direcionamento de recursos públicos por meio de três assessores da Câmara dos Deputados. O ministro, contudo, considerou que não é possível afirmar, com segurança, que houve desvio dos valores pelos funcionários públicos ou por Valdemar Costa Neto.

Em agosto de 2025, Garigham pergunta se Tuca “fechou o valor do presidente Valdemar?”. Mariângela responde: “Se puder trocar tudo turismo, ótimo”. Garigham diz: “R$ 24 milhões tá bom”.

Veja a relação dos valores e dos repasses que podem ter sofrido interferência de Valdemar.

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