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Defesa de Valdemar vê “exposição eleitoral” em decisão de Dino

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

A defesa do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta 6ª feira (10.jul.2026) que a decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), de bloquear R$ 119 milhões em emendas suspeitas é uma “exposição pública prematura da investigação”.

Em nota, os advogados afirmaram que não “há nada de criminoso” na articulação de interesses nacionais e regionais por um presidente de legenda. Leia a íntegra da nota (PDF – 48 kB)

Ao determinar a suspensão dos pagamentos, Dino considerou que há indícios de que Valdemar tenha articulado o repasse dos valores mesmo sem mandato parlamentar.

A defesa de Valdemar Costa Neto diz que a decisão “parte de premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”. Os advogados Marcelo Luiz Ávila de Bessa e Thiago Lôbo Fleury destacam que não há indícios de um “esquema criminoso”.

“A defesa lamenta a exposição pública prematura de investigação ainda em fase preliminar, especialmente quando desacompanhada de elementos indiciários idôneos e em período de especial sensibilidade institucional e eleitoral”, declarou em nota.

Os advogados também dizem ser preocupante que a decisão do ministro Flávio Dino tenha determinado a indisponibilidade do patrimônio presidente do partido. A defesa ainda menciona que a PGR (Procuradoria Geral da República) foi contrária às medidas cautelares, mas, mesmo assim, o ministro impôs as restrições com base em “suposições sem qualquer demonstração individualizada de dolo, fraude, desvio de finalidade ou participação consciente em qualquer crime”.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, declarou em sua conta no X o apoio a Valdemar Costa Neto. O congressista disse que a Polícia Federal atuou de forma seletiva para constranger adversários políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “A Polícia Federal, que diz não ter efetivo nem recursos para investigar as denúncias contra Lulinha, filho do presidente Lula, mais uma vez mobiliza recursos para atacar adversários do presidente. Essa perseguição precisa parar”, declarou.

Sobre a decisão de hoje do ministro Flavio Dino (STF) contra o presidente do meu partido, Valdemar Costa Neto (PL):

1. Tenho certeza que o presidente Valdemar saberá dar todas as respostas aos pontos levantados

2. Como presidente do maior partido do Brasil, é natural que ele…

— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) July 10, 2026

ENTENDA

A Polícia Federal encaminhou ao ministro Flávio Dino relatório indicando que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, direcionava emendas parlamentares com o apoio de assessoras da Câmara dos Deputados, o tratavam como líder de bancada.

Com base nas investigações, Dino determinou o bloqueio do pagamento de R$ 119 milhões em emendas parlamentares podem ter sido direcionadas por Valdemar Costa Neto.

A principal personagem do esquema, segundo a PF, é a ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL) Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Os investigadores afirmam que ela operacionalizava um “arranjo informal envolvendo servidores distribuídos em setores da Câmara dos Deputados”.

O relatório afirma que ela recebeu uma planilha com valores de emendas que foram indicadas por Valdemar. Nas conversas trocadas com o advogado da liderança do PL na Câmara, Garigham Amarante Pinto, Tuca acerta indicar R$ 24 milhões em emendas destinadas para municípios sob o direcionamento do “turismo”.

Ao determinar o bloqueio dos valores, o ministro Flávio Dino considerou que a atuação que os funcionários da Câmara dos Deputados “parecem atribuir ao investigado Valdemar Costa Neto contrasta com a ausência de título jurídico que lhe permita dispor do orçamento público”. Leia a íntegra da decisão (PDF – 457 kB).