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Após atrito com Michelle, Flávio volta ao Ceará para lançar candidatos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, lança nesta 6ª feira (10.jul.2026) pré-candidatos do Partido Liberal no Ceará. É a 1ª visita do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Estado depois do atrito com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, motivado também pelas costuras eleitorais na região. 

Uma das críticas de Michelle é o apoio, já no 1º turno, ao pré-candidato ao governo Ciro Gomes (PSDB). Ela defende que o partido apoie o senador Eduardo Girão (Novo), que, segundo ela, representa os valores defendidos por Bolsonaro. O PL oficializou o apoio ao tucano em maio. 

Durante comício em Fortaleza (CE) em dezembro de 2025, Michelle criticou publicamente a decisão do diretório estadual do partido, presidido por André Fernandes (PL-CE), de apoiar Ciro Gomes nas eleições. Segundo ela, o tucano já havia criticado Bolsonaro e seus filhos. Chamou o apoio de precipitado. 

“É sobre essa aliança que vocês se precipitaram a fazer. Eu tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, assim não dá”, disse Michelle.

Segundo ela, Ciro Gomes foi o principal responsável “pelo processo que levou à inelegibilidade” de Bolsonaro

A ex-primeira-dama também defendeu que o partido só apoiasse Ciro na 2ª etapa da disputa eleitoral. “Eu sou contra ela [a aliança], mas essa é só a minha convicção. Se a direita quer se unir para derrotar o PT, tudo bem. Mas a coerência obriga que isso aconteça só no 2º turno”.

Nos vídeos publicados em 24 de junho, a ex-primeira-dama afirmou que Flávio telefonou para ela depois do comício. 

“Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, declarou.

CIRO GOMES

O ex-ministro de governos petistas foi crítico ao bolsonarismo, principalmente nas eleições presidenciais de 2018 e 2022. Apesar disso, vem defendendo esforços conjuntos para derrotar o governador Elmano de Freitas (PT) e seu partido, que já governa o Ceará há 12 anos.

Deve, porém, tentar se manter mais distante da campanha de Flávio ao Palácio do Planalto. 

Em junho, Ciro Gomes declarou que “apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão”. E completou: “Se estivesse, nós não tínhamos nem sentado para conversar sobre a aliança regional”.

O tucano inclusive foi questionado sobre manter distância do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio nas eleições, mas não rejeitar o apoio do PL em seu Estado. Segundo ele, não há contradição.

“Não há uma única eleição federativa no Brasil em que você não encontre isso. Primeiro por ser uma hiperfederação. O que tem a ver a cultura política de Santa Catarina com a cultura política do Ceará? São completamente distintas. Lá, o PL é favorito. Aqui é odiado. Não tem como conciliar”, afirmou.

SENADO

Na viagem, Flávio vai lançar o nome de Alcides Fernandes (PL-CE) para o Senado. Ele é o pai de André Fernandes, presidente do diretório estadual do partido e responsável pela articulação do seu nome para a Casa Alta.

Michelle já declarou publicamente apoiar a candidatura da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL-CE), que também é vice-presidente do PL Mulher. Segundo a ex-primeira-dama, a escolha dela como candidata ao Senado foi determinada por Bolsonaro. 

“Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro. Já que a aliança com Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga de seu próprio pai? Por que só a mulher tem que ceder?”, disse.

É improvável que o PL lance 2 nomes ao Senado, já que no campo conservador o ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil) também vai disputar. 

A presença de Flávio no evento é vista como um gesto de apoio a Alcides, o que deve isolar Priscila Costa em suas intenções de se candidatar ao Senado.