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FMI projeta economia global em 3,0% em 2026; Brasil deve crescer 2,4%

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

A economia mundial deve perder ritmo em 2026. O FMI (Fundo Monetário Internacional) estima crescimento de 3,0% para o PIB global no ano, abaixo da média de 3,5% registrada em 2024 e 2025. Para 2027, a expectativa é de expansão de 3,4%. No Brasil, a projeção é de crescimento de 2,4% em 2026.

Segundo o WEO (World Economic Outlook), os principais fatores para a desaceleração são as tensões geopolíticas e a alta dos preços da energia provocada pela guerra no Oriente Médio. Em sentido oposto, o avanço da inteligência artificial tem sustentado os investimentos, a produtividade e parte da atividade econômica, reduzindo os efeitos negativos do conflito e evitando uma desaceleração mais intensa. Eis a íntegra do relatório da entidade (PDF – 2 MB, em inglês).

BRASIL ESTÁ RESILIENTE

Entre os mercados emergentes, o Brasil foi um dos países que receberam as maiores revisões positivas nas projeções.

O FMI elevou em 0,5 ponto percentual a estimativa de crescimento do PIB brasileiro para 2026. Para 2027, a projeção é de expansão de 2,2%.

A instituição afirma que a economia brasileira tem demonstrado resiliência diante do ambiente externo adverso, favorecida, entre outros fatores, pela menor exposição direta às interrupções no fornecimento de energia provenientes do Oriente Médio.

GUERRA PRESSIONA ENERGIA E INFLAÇÃO

O FMI reduziu em 0,1 ponto percentual a projeção de crescimento global para 2026 em relação ao relatório de abril.

Segundo a instituição, o principal fator por trás da revisão foi o aumento das tensões no Oriente Médio. O fechamento parcial do Estreito de Ormuz elevou o risco para o abastecimento mundial de petróleo e fez a projeção do preço médio do barril subir para US$ 89 em 2026, alta de 32% em relação a 2025.

Como consequência, o processo de desaceleração da inflação foi interrompido. A expectativa para a inflação global passou de 4,1% em 2025 para 4,7% em 2026, refletindo principalmente os custos mais elevados de energia e alimentos.

IA LIMITA DESACELERAÇÃO

Ao mesmo tempo, o FMI afirma que a expansão da inteligência artificial tem funcionado como um importante fator de sustentação do crescimento mundial.

A demanda por semicondutores, infraestrutura computacional e serviços ligados à IA impulsionou economias exportadoras de tecnologia, especialmente na Ásia. A Coreia do Sul, por exemplo, registrou crescimento de 7,5% no 1º trimestre de 2026, beneficiada pelo aumento das exportações de componentes para sistemas de IA.

Segundo o Fundo, a adoção da tecnologia também tende a elevar a produtividade nos próximos anos, o que pode compensar parte dos efeitos negativos provocados pelo cenário geopolítico.

CHINA E EUA

O FMI aponta trajetórias distintas para as duas maiores economias do mundo. A China enfrenta uma desaceleração estrutural, enquanto os Estados Unidos demonstram maior resiliência aos choques externos.

A economia chinesa deve perder fôlego por causa da alta dos preços da energia e das incertezas persistentes, apesar do forte desempenho registrado no início de 2026, impulsionado pela manufatura de alta tecnologia.

Já os Estados Unidos mantêm as projeções estáveis, favorecidos pela condição de exportador líquido de energia e pelo forte investimento empresarial em inteligência artificial.

As projeções do Fundo são:

  • China: crescimento de 4,6% em 2026 e 4,1% em 2027;
  • EUA: crescimento de 2,3% em 2026 e 2,2% em 2027.

RISCOS SEGUEM ELEVADOS

Apesar da expectativa de recuperação em 2027, o FMI afirma que os riscos para a economia global continuam predominantemente negativos.

Segundo o relatório, uma nova escalada do conflito no Oriente Médio pode provocar aumentos ainda maiores no preço do petróleo, sobretudo porque os estoques globais permanecem reduzidos. Em contrapartida, ganhos de produtividade mais rápidos decorrentes da disseminação da inteligência artificial podem impulsionar o crescimento acima das projeções atuais.

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