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Caiado critica uso eleitoral da redução da jornada de trabalho

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

Ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD) criticou nesta 4ª feira (8.jul.2026) a proposta do governo federal para reduzir a jornada de trabalho. Segundo ele, a eventual entrada em vigor das regras em 60 dias tem caráter eleitoral e não dá tempo para empresas e trabalhadores discutirem os impactos da medida.

Caiado afirmou que o Tribunal de Contas da União e o Supremo Tribunal Federal deveriam agir para impedir que o tema fosse tratado dessa forma, por considerar que a tramitação restringe o debate no Congresso Nacional. A declaração foi dada durante a Agenda dos Presidenciáveis, promovida pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo em Brasília.

Ao responder perguntas dos jornalistas sobre a proposta de mudança na escala de trabalho, disse que o presidente da República tem o direito de encaminhar projetos ao Legislativo, mas criticou o prazo estabelecido para que as regras passem a valer.

Segundo Caiado, a proximidade das eleições transforma a votação em um tema de forte apelo político e reduz o espaço para discussão técnica. Na avaliação do governador, um congressista teria dificuldade para votar contra a proposta diante da narrativa de que rejeitar o texto significaria ser contrário ao trabalhador.

“Isso deveria ter um pronunciamento do TCU, como também do Supremo, para coibir esse tipo de coação”, declarou. Em seguida, questionou: “Qual deputado federal ou senador vai votar contra a menos de 90 dias da eleição?”.

O governador declarou que não é contrário à redução da jornada de trabalho, mas defendeu um período maior para negociação entre governo, empresários e trabalhadores. Segundo ele, a própria CNC pede mais tempo para avaliar os efeitos da medida sobre os custos das empresas e a manutenção dos empregos.

Caiado também disse que pretende adotar uma estratégia de negociação caso seja eleito presidente. Afirmou que a experiência à frente do Estado de Goiás demonstra que reformas dependem de diálogo e consenso entre os setores envolvidos. Como exemplo, afirmou ter encerrado o mandato com alto índice de aprovação e sem greves no funcionalismo estadual.

Ao encerrar a resposta, o governador voltou a criticar a condução política do governo federal. Segundo ele, medidas econômicas e trabalhistas não devem ser utilizadas como instrumento de disputa eleitoral, mas construídas por meio de diálogo para preservar a atividade econômica, os empregos e a segurança jurídica.

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