Últimas

Museu Lalique na França é assaltado; R$ 25 mi são furtados em joias

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O Museu Lalique, em Wingen-sur-Moder, no nordeste da França, foi assaltado na madrugada de domingo (5.jul.2026). Criminosos levaram cerca de 20 joias de cristal avaliadas em aproximadamente € 4 milhões, o equivalente a cerca de R$ 25 milhões.

O crime não resultou em prisões e colocou em xeque o sistema de segurança da instituição, que permanece fechada desde então. Nenhum suspeito havia sido identificado publicamente até esta 2ª feira (6.jul.2026).

Como o roubo aconteceu

Segundo as autoridades francesas, a invasão começou por volta das 5h30 (horário local). O grupo, vestido com roupas escuras e capuzes, arrombou uma das portas do museu e foi diretamente à galeria de joias. Seis vitrines foram quebradas e as peças levadas em poucos minutos.

A rapidez da ação levou os investigadores a trabalhar com a hipótese de que o grupo conhecia previamente a disposição do acervo e a planta do edifício. A polícia ainda não informou quantas pessoas participaram do roubo nem qual rota foi usada na fuga.

Uma funcionária da limpeza acionou a polícia ao chegar para trabalhar no início da manhã. O alarme disparou durante a invasão, mas os criminosos deixaram o local antes da chegada das autoridades. O episódio gerou críticas à empresa responsável pelo monitoramento do museu.

Christian Dorschner, prefeito de Wingen-sur-Moder, reconheceu que os alarmes funcionaram, mas classificou como grave a falta de intervenção imediata e a demora na comunicação com as forças de segurança.

Peças com alto valor histórico

As joias roubadas eram produzidas em cristal e não continham pedras preciosas. Ainda assim, têm elevado valor histórico e artístico por integrarem o acervo de René Lalique (1860-1945), joalheiro e mestre vidreiro francês que revolucionou a joalheria no fim do século XIX ao incorporar materiais como vidro, esmalte e chifre às suas criações, rompendo com a tradição baseada em ouro e pedras preciosas. Lalique é um dos principais nomes da Art Nouveau e da Art Déco.

Investigadores avaliam que as obras dificilmente serão revendidas em mercados convencionais por serem facilmente identificáveis. A principal hipótese é que tenham sido encomendadas por colecionadores clandestinos ou destinadas ao mercado ilegal de arte.

O valor definitivo do prejuízo ainda está sendo calculado. Além do impacto financeiro estimado em € 4 milhões, especialistas destacam a perda cultural provocada pelo desaparecimento de obras originais de um dos artistas franceses mais influentes do século XX.

A polícia analisa imagens das câmeras internas e externas do museu para identificar os responsáveis pelo roubo e reconstruir a rota de fuga. A lista completa das peças levadas ainda não foi divulgada.

Inaugurado em 2011 ao lado da histórica fábrica Lalique, o museu reúne mais de 650 peças, entre joias, esculturas, objetos de vidro, desenhos e documentos relacionados à trajetória do artista. A direção informou que a instituição permanecerá fechada por tempo indeterminado para permitir o trabalho da perícia e a revisão dos protocolos de segurança.

O crime foi registrado poucos meses depois de outro roubo de grande repercussão envolvendo o patrimônio cultural francês: o furto de joias da Galeria d’Apollon, no Museu do Louvre, em Paris.