A deputada federal Marina Silva (Rede), pré-candidata ao Senado em São Paulo, criticou a tentativa de partidos de diferentes espectros políticos de flexibilizar as regras de distribuição do fundo eleitoral para mulheres e negros. Disse ser “especialmente inaceitável” tentar diminuir a participação desses grupos na política.
“É especialmente inaceitável que partidos de diferentes campos políticos se unam para flexibilizar justamente mecanismos criados para ampliar a participação de quem historicamente foi excluído da política”, afirmou, em entrevista à Folha de S.Paulo publicada no sábado (5.jul.2026).
Uma das siglas que defendem mudanças é o PT, partido que integrará a chapa de Marina nas eleições de 2026. A legislação eleitoral determina que ao menos 30% dos recursos do fundo sejam destinados a candidaturas femininas e de pessoas negras.
Marina disse que as cotas não são privilégios, mas instrumentos para corrigir desigualdades históricas na política. Segundo ela, mulheres representam metade da população brasileira, mas ocupam só 18% das cadeiras no Congresso. “Nós não queremos só o direito de concorrer em quantidade”, declarou.
A pré-candidata afirmou que burlar as regras perpetua a concentração de poder e recursos nos mesmos grupos. “A democracia brasileira só se aprofundará quando sua representação política se parecer mais com a população”, disse.
Marina disputará uma das vagas ao Senado em São Paulo ao lado de Simone Tebet (PSB). Fernando Haddad (PT) será candidato ao governo estadual, com Márcio França (PSB) como vice.
