O deputado federal Luciano Amaral (PSD-AL) pediu ao MPF (Ministério Público Federal) a abertura de uma investigação contra o CEO da SME (Sports Media Entertainment), Bruno Henrique Pimenta da Silva, e o empresário Carlos Gamboa, controlador da empresa, por suspeita de influência indevida no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
A solicitação, apresentada no sábado (29.jun.2026), é a 2ª manifestação do congressista sobre o assunto. Ele também requereu explicações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao qual o Cade é vinculado. Eis a íntegra do requerimento (PDF – 141 kB).
A Sports Media Entertainment é a patrocinadora da liga FFU (Futebol Forte União). A organização foi proibida de criar obstáculos à saída dos clubes conforme decisão em caráter preventivo do então superintendente do Cade, Alexandre Barreto, do dia 25 de junho.
De acordo com o deputado, Pimenta afirmou, em e-mail enviado no dia 26 de junho aos dirigentes dos clubes associados, que a equipe jurídica da SME “estaria em contato com conselheiros da autarquia, e que esses conselheiros também teriam sido surpreendidos pela decisão e que ela seria, em breve, revista”.
Por esse motivo, o deputado solicita que o Ministério da Justiça, ao qual o Cade é vinculado, disponibilize a relação completa e individualizada dos contatos mantidos por Bruno Pimenta, pelo investidor Carlos Gamboa e por outros sócios da empresa com integrantes do Conselho.
No requerimento, o congressista afirma querer esclarecer se a declaração do CEO revela eventual influência da Sports Media no órgão de defesa da concorrência ou se teve apenas “efeito retórico”, com o objetivo de convencer os clubes a permanecerem na FFU.
OUTRO LADO
Ainda no sábado (29.jun), a Sports Media afirmou em nota que qualquer menção a uma possível interferência indevida junto a conselheiros do órgão era “descabida”. Disse que o e-mail dizia respeito ao “exercício regular do seu direito de defesa no processo”.
Eis a íntegra da manifestação:
“A SME (Sports Media Entertainment) é sócia estratégica minoritária dos clubes membros da FFU (Futebol Forte União), comprometida com a competitividade e a modernização do futebol brasileiro. Todos os seus atos perante a Superintendência-Geral e o Cade são formais, transparentes e em estrita observância da lei; a empresa tem plena confiança na correção de sua conduta e respeita integralmente a atuação do órgão.
“Vale ressaltar que a própria apresentação do arranjo CFU (Condomínio Forte União), FFU e SME ao Cade se deu por decisão espontânea, em sede do Apac (Acordo em Apuração de Ato de Concentração) número 08700.005511/2023-37. A SME permanece à disposição das autoridades competentes.”
O Poder procurou o Ministério da Justiça nesta 5ª feira (2.jul.2026) para perguntar se a pasta já analisou o pedido do deputado e se planeja abrir algum procedimento administrativo. Caso uma resposta seja enviada, a reportagem será atualizada.
