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TCU vê irregularidades na execução de emendas Pix em 18 cidades

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O Tribunal de Contas da União aprovou, nesta 4ª feira (1º.jul.2026), 3 auditorias sobre a execução de emendas Pix em municípios brasileiros. No principal processo analisado, o Acórdão 1.732 de 2026, o TCU avaliou 26 objetos de contratações e locações em 18 municípios, envolvendo R$ 30,6 milhões em recursos públicos. Eis a íntegra da decisão (PDF – 3 MB).

A Corte determinou a abertura de tomadas de contas especiais e de processos apartados de representação para aprofundar a apuração de irregularidades.

A fiscalização identificou que, em 14 dos 18 municípios auditados nesse processo, os recursos das emendas foram transferidos das contas específicas para outras contas bancárias. 

Segundo o TCU, a prática comprometeu a rastreabilidade do dinheiro público e dificultou acompanhar o caminho entre o recebimento dos valores federais e a aplicação final. 

Em alguns casos, a quebra de rastreabilidade foi considerada grave a ponto de impedir a comprovação segura de que os recursos foram usados na finalidade prevista.

Além da perda de rastreabilidade, a auditoria apontou falhas em licitações e contratos, com indícios de fraude, direcionamento de certames, restrição indevida à competitividade, falhas em pesquisas de preços, pagamentos sem documentação suficiente e, em 1 dos casos, participação indevida de licitante vinculada a agente público. 

Na decisão, o TCU determinou a instauração de tomadas de contas especiais nos casos analisados. Esses processos servirão para aprofundar a apuração dos fatos, quantificar eventual débito e responsabilizar os envolvidos. 

INDÍCIOS DE IRREGULARIDADES

O tribunal também decidiu abrir representações para apurar indícios de irregularidades graves em licitações e dar ciência às prefeituras sobre as impropriedades encontradas, para evitar a repetição das falhas.

Durante a exposição de seu voto, acompanhado por todos os outros presentes, o ministro-relator do processo, Jorge Oliveira, destacou que as irregularidades observadas são um padrão identificado na execução desses recursos. Citou a falta de transparência das chamadas emendas Pix.

A efetividade das transferências especiais depende não apenas da rapidez na liberação dos recursos, mas também da existência de mecanismos robustos de controle”, afirmou.

A posição de Oliveira foi reforçada pelo presidente da Corte, Vital do Rêgo Filho. Ao concordar com o relator, ele celebrou o lançamento de Painel de Acompanhamento de Execução de Emendas. O mecanismo foi lançado pelo TCU nesta 4ª feira (1º.jul).

Nós temos mais de 10.000 emendas nesse país e o padrão é o mesmo”, afirmou Vital do Rêgo.

No processo TC 004.352/2026-2, os 18 municípios auditados foram:

  •  Acaraú (CE);
  • Alagoa Grande (PB);
  • Amapá (AP);
  • Belém (PA);
  • Campo Formoso (BA);
  • Carneirinho (MG);
  • Caroebe (RR);
  • Coari (AM);
  • Cruzeiro do Sul (AC);
  • Ituiutaba (MG);
  • Laranjal do Jari (AP);
  • Neópolis (SE);
  • Patos (PB);
  • Pracuúba (AP);
  •  Riacho da Cruz (RN);
  •  Rorainópolis (RR);
  • São José da Laje (AL);
  • São Miguel do Guaporé (RO).