O Partido dos Trabalhadores divulgou, nesta 4ª feira (1º.jul.2026), uma carta direcionada aos católicos. No texto, a sigla critica congressistas que “transformam igrejas em palanques” e defende pautas sociais, trabalhistas e ambientais. O documento também declara apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026.
Intitulado “Carta das Católicas e dos Católicos do PT ao povo brasileiro”, o texto foi apresentado 1 dia depois do 1º Encontro Nacional de Católicos e Católicas do partido, realizado em Brasília na 3ª feira (30.jun). A iniciativa integra a estratégia da sigla de ampliar o diálogo com segmentos religiosos.
No documento, os petistas afirmam defender o Estado laico, a liberdade religiosa e o respeito à diversidade de crenças.
“Queremos fortalecer o laicato, formar consciência crítica, ampliar redes de engajamento e valorizar o protagonismo das mulheres, das juventudes e da classe trabalhadora. Defendemos o Estado laico, a liberdade religiosa e o respeito às diferentes tradições e à não crença, rejeitando toda forma de intolerância, discriminação e racismo religioso”, lê-se.
A carta também incorpora bandeiras que o PT pretende destacar na campanha de 2026, como o fim da escala de trabalho 6 X 1, tarifa zero no transporte público, reforma agrária, agricultura familiar, segurança alimentar, proteção ambiental, igualdade racial, defesa dos direitos das mulheres, das juventudes e dos povos indígenas e tradicionais.
O texto não citou questões consideradas mais sensíveis entre os religiosos, como o aborto. Durante o 1º Encontro Nacional de Católicos e Católicas, o coordenador nacional do Setorial Inter-religioso do PT, Gutierres Barbosa, disse a jornalistas que a questão está “muito superado dentro do PT”.
“Por isso que ele nem aparece, em nenhuma discussão. Se você participar das plenárias de mulheres, esse tema não aparece. Se você entra na plenária da comunidade LGBT, esse tema não aparece. Na juventude, também não. Não aparece em lugar nenhum dentro do PT”, declarou.
LULA ENTRE CATÓLICOS
Segundo pesquisa do PoderData divulgada em janeiro, o apoio do grupo religioso ao petista caiu 14 pontos percentuais desde a posse: saiu de 62% para 45%.

As curvas do infográfico mostram que, durante o 3º mandato de Lula, parte dos eleitores católicos mudou de posição, deixando de aprovar e passando a desaprovar o comando petista.
Eis a íntegra da carta:
“‘Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância.’
“João 10,10
“Nós, católicas e católicos filiados ao Partido dos Trabalhadores, dirigimo-nos ao povo brasileiro movidos por nossa inspiração cristã, pela consciência democrática e pelo compromisso com a dignidade humana. Expressamos como cristãos leigos e leigas que, a partir da fé que professamos, exercem sua cidadania e assumem responsabilidade diante dos desafios do Brasil.
“A espiritualidade que nos anima constrói solidariedade, fortalece a consciência crítica e nos convoca a defender direitos e ampliar os horizontes da mobilização popular. Cientes de que o catolicismo brasileiro é plural e profundamente presente na sociedade, expressando-se em comunidades, pastorais, movimentos, redes de solidariedade e iniciativas de formação e compromisso social.
“Por isso, afirmamos a organização das católicas e dos católicos no campo democrático e popular. Queremos fortalecer o laicato, formar consciência crítica, ampliar redes de engajamento e valorizar o protagonismo das mulheres, das juventudes e da classe trabalhadora. Defendemos o Estado laico, a liberdade religiosa e o respeito às diferentes tradições e à não crença, rejeitando toda forma de intolerância, discriminação e racismo religioso.
“Queremos encantar a política, resgatando sua dignidade pela educação popular, pela participação cidadã e pelo compromisso com o bem comum. Denunciamos condutas parlamentares que transformam igrejas em palanques e que traem o mandato recebido do povo ao se colocarem contra direitos sociais, trabalhistas e democráticos. Do mesmo modo, apoiamos candidaturas populares comprometidas com a soberania nacional e com a dignidade da classe trabalhadora e das populações vulnerabilizadas.
“Reconhecemos os avanços das políticas públicas que reconstruíram o Brasil e melhoraram concretamente a vida da população: Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Brasil Sorridente, fortalecimento do SUS, Farmácia Popular, Cozinhas Solidárias, Pé-de-Meia, valorização do salário mínimo, combate à fome, geração de emprego, acesso à educação e políticas de cuidado. Do mesmo modo, afirmamos como marcos importantes de nosso apoio a defesa do fim da escala 6×1 e da tarifa zero, por expressarem o compromisso com o tempo digno, a mobilidade e os direitos sociais.
“Para defender e ampliar essas conquistas, apoiamos nas eleições de 2026 um projeto comprometido com a igualdade, a dignidade e o cuidado com a Casa Comum: trabalho com direitos, reforma agrária, agricultura familiar, segurança alimentar, proteção ambiental, igualdade racial, cuidado com as mulheres, proteção das juventudes e defesa dos povos que cuidam da terra, das águas, das florestas e da vida.
“Defendemos uma prática política orientada pela legalidade do Estado Democrático de Direito e pelo respeito às instituições. O voto deve ser fruto de um olhar atento à trajetória pública das candidaturas, aos compromissos que assumem e aos impactos reais de seus projetos sobre a vida do povo brasileiro.
“Reafirmamos nosso compromisso com a democracia como caminho indispensável para a construção de um Brasil livre, justo e participativo. É nela que o povo pode se organizar, defender direitos, expressar sua voz e disputar os rumos do país. Defender a dimensão democrática é proteger a vida pública contra o autoritarismo e toda forma de exclusão.
“Assim, apoiamos a reeleição do presidente Lula: para seguir reconstruindo o Brasil com democracia, trabalho valorizado, direitos garantidos e vida digna para todas e todos. Seguiremos em caminhada, com coragem e organização, para que a política esteja a serviço da vida, da democracia e do protagonismo popular.
“Brasília, 30 de junho de 2026.
“Católicas e Católicos do Partido dos Trabalhadores”

