O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, protocolou uma notícia de fato na Polícia Federal nesta 4ª feira (1º.jul.2026) para pedir a abertura de uma investigação sobre a compra de uma mansão de R$ 14,5 milhões no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. O imóvel, segundo o petista, foi registrado em nome de José Vicente Santini, advogado e coordenador da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
De acordo com o documento, a propriedade teria sido adquirida por meio de uma entrada de R$ 4 milhões e financiamento de R$ 10,5 milhões concedido pelo BRB (Banco de Brasília). A representação argumenta que, embora a casa esteja formalmente em nome do advogado, ela passou a funcionar como quartel-general político e centro de articulações do senador.
O deputado petista argumenta que o financiamento exigiria prestações mensais de aproximadamente R$ 128 mil, o que demanda comprovação de renda mensal estimada em R$ 429 mil. Lindbergh solicita o cruzamento desses valores com os rendimentos declarados e os contratos de Santini.
Pelas normas bancárias vigentes para esse tipo de contrato, o valor da prestação mensal não pode comprometer mais do que 30% da renda bruta dos compradores.
O deputado questiona também o mecanismo financeiro utilizado para o pagamento dos R$ 4 milhões da entrada, que não foram especificados. Além da verificação da existência de contratos de aluguel, comodato ou doação eleitoral que justifiquem o uso da estrutura por Flávio Bolsonaro.
BRB & MASTER
O documento também cita que o BRB é o mesmo banco público que financiou a mansão do próprio Flávio Bolsonaro na capital federal por R$ 5,97 milhões –quitada de antecipadamente 27 anos antes do prazo original.
A ação cita ainda que o BRB foi alvo da Operação Compliance Zero. A investigação da PF resultou na prisão do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, por suspeitas de fraudes bilionárias na transferência de carteiras de crédito sem lastro ligadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro
O pedido de investigação menciona as reportagens que apontam negociações diretas de Flávio Bolsonaro com Vorcaro para captar recursos para o projeto cinematográfico “Dark Horse”, um filme sobre Jair Bolsonaro.
Por envolver um integrante do Congresso Nacional, a notícia de fato pede que a Polícia Federal tome precauções quanto à prerrogativa de foro. Caso surjam indícios de envolvimento direto ou ganho patrimonial por parte do senador, o caso deve ser imediatamente remetido à PGR (Procuradoria-Geral da República) e ao Supremo Tribunal Federal.
O Poder360 procurou a assessoria de campanha do senador Flávio Bolsonaro por meio de mensagens via WhatsApp e, por e-mail, a do BRB. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. Este jornal digital não conseguiu encontrar um meio de contato com José Vicente Santini. O espaço segue aberto.
