O economista José Prata Araújo é marido da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT). É também coordenador de sua pré-campanha ao Senado. Nesta 2ª feira (29.jun.2026), ele afirmou que a estratégia do PT de Minas Gerais de lançar candidatura própria ao governo é uma “temeridade” e “no limite, será um desastre político”.
Além disso, defendeu uma “frente ampla” ao dizer que a experiência do partido “não foi bem-sucedida”. De 2015 a 2019, o Estado foi governado pelo petista Fernando Pimentel (PT).
“Por isso mesmo, não devemos ter protagonismo na candidatura a governador. Nosso candidato deve ser de um partido de centro; devemos apostar na constituição de uma frente ampla; e Marília, em cargo legislativo, pré-candidata ao Senado, retoma o diálogo do PT Minas com os mineiros e mineiras”, acrescenta em nota (leia a íntegra ao final desta reportagem).
Segundo Prata, Marília Campos tem chance real de ser eleita senadora e uma eventual candidatura da ex-prefeita de Contagem ao governo “reunifica fortemente a direita mineira”, beneficiando o governador Mateus Simões (PSD), que tentará a reeleição. “A narrativa da direita será óbvia: ‘esqueçam a Marília prefeita de Contagem, o que está em jogo é o retorno do PT ao governo de Minas Gerais’”, declara.
Há menção aos percentuais de aprovação do ex-governador Romeu Zema (Novo), que é aliado de Simões: “Não se pode subestimar Romeu Zema, que deixou o governo de Minas com 60% de aprovação. A candidatura de Marília ao governo é a volta da polarização, é o sonho da direita e da extrema direita mineira”.
Ele também afirma que a decisão de lançar Marília resultaria em derrotas para o PT e impactaria negativamente a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição em Minas. “Não é preciso ser vidente para ver os resultados: O PT perde o governo do Estado; perde a disputa para o Senado, já que quem substituir Marília seria visto como um impostor, e, com toda a confusão, e isso afetaria o desempenho de Lula no Estado”, avalia.
MARÍLIA RESISTE
Há uma resistência de Marília Campos em disputar o governo de Minas Gerais. Argumenta que renunciou ao cargo de prefeita com esse propósito, mesmo diante da pressão de integrantes do PT para que concorra ao Palácio Tiradentes.
O PT mantém a estratégia de lançar uma candidatura própria ao governo estadual. Essa intenção foi externada a Marília, no domingo (28.jun), durante uma reunião entre o presidente nacional da sigla, Edinho Silva, e a presidente do PT mineiro, deputada Leninha.
“Nenhuma decisão foi tomada”, declarou Leninha em nota sobre o encontro no domingo (28.jun). Também afirmou que novas conversas se darão “nos próximos dias”.
Lula enfrenta dificuldades para assegurar um palanque competitivo em Minas, Estado estratégico na sua tentativa de reeleição. Em 2026, contava com a pré-candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) ao governo estadual, mas o congressista desistiu de disputar o pleito. Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, também foi procurado.
Edinho Silva procurou algumas vezes Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato do PDT ao governo mineiro. Os 2 chegaram a jantar em novembro de 2025 para tratar do tema, mas a conversa não prosperou.
Eis a íntegra da nota da coordenação da pré-campanha de Marília Campos ao Senado:
“CANDIDATURA DE MARÍLIA AO GOVERNO REUNIFICA A DIREITA MINEIRA!
“Numa estratégia eleitoral, quando escalamos o nosso time, temos que prever também a escalação do time adversário. Marília tem estratégia clara: nossa experiência no governo de Minas não foi bem sucedida; e por isso mesmo não devemos ter protagonismo na candidatura a governador. Nosso candidato deve ser de um partido de centro; devemos apostar na constituição de uma frente ampla; e Marília, em cargo legislativo, pré-candidata ao Senado, retoma o diálogo do PT Minas com os mineiros e mineiras. Poderemos ter a primeira senadora do PT Minas e segunda senadora mineira nos 202 anos do Senado Federal.
“O PT Minas quer escalar Marília para o governo de Minas. Mas “falta combinar” com os adversários o time deles e a narrativa de campanha. Me parece óbvio: a candidatura de Marília reunifica fortemente a direita mineira, provavelmente em torno da candidatura de Mateus Simões, com forte engajamento de Romeu Zema. A narrativa da direita será óbvia: “esqueçam a Marília prefeita de Contagem, o que está em jogo é o retorno do PT ao governo de Minas Gerais”. A candidatura de Marília ao governo significa a volta radical da polarização, em um estado que está se despolarizando, devido ao estilo prudente e moderado dos mineiros e porque também a polarização inviabiliza um diálogo mais amplo para tirar Minas da falência. Não se pode subestimar Romeu Zema, que deixou o governo de Minas com 60% de aprovação. A candidatura de Marília ao governo é a volta da polarização, é o sonho da direita e da extrema direita mineira. A estratégia do PT Minas é, para dizer o mínimo, uma temeridade. No limite será um desastre político.
“E veja somente a encrenca que seria a candidatura de Lula em Minas Gerais. Se a polarização para o governo do Estado se der, como é provável, sobre a experiência do PT no governo de Minas Gerais, Lula, com uma narrativa centrada em um projeto nacional, não pode de forma alguma entrar na polarização do Estado. Ele agiria corretamente se afastando da candidatura da Marília, da polarização estadual, e faria uma “campanha solo” em Minas Gerais em defesa do nosso projeto de defesa nacional da democracia, da soberania nacional e do Estado Social. Não é preciso ser vidente para ver os resultados: O PT perde o governo do Estado; perde a disputa para o Senado, já que quem substituir Marília seria visto como um impostor, e, com toda a confusão, e isso afetaria o desempenho de Lula no Estado.
“Por todas essas razões, propomos que o PT adote uma estratégia eleitoral específica para Minas Gerais, com ênfase na despolarização, na construção de uma frente ampla e na defesa forte e afirmativa do governo Lula. Nosso palanque em Minas Gerais deve ser: Lula presidente, um nome da frente ampla para o governo do Estado, Marília senadora na primeira vaga do Senado e um nome da frente ampla para a segunda vaga no Senado.
“José Prata Araújo
“Economista e coordenador da pré-campanha de Marília Campos”
