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Redes têm lado e nosso desafio é ampliar presença, diz secretária do PT

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Redes têm lado e nosso desafio é ampliar presença, diz secretária do PT

A secretária nacional de Juventude do PT, Julia Köpf, 28 anos, afirma que as redes sociais ainda representam um desafio para a sigla e as esquerdas. Em entrevista ao Poder360, a dirigente avalia ser importante ampliar a participação no ambiente digital, mas reforça que a militância presencial faz a diferença.

“Estamos presentes nas redes sociais, mas o olho no olho é uma coisa que não se substitui. Temos um desafio de aumentar nossa presença nas redes sociais. Acho que todo mundo que seja de esquerda, seja de direita, tem isso, porque a gente consegue ter uma comunicação de massa”, declara.

A dirigente partidária diz que o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantêm ligação com setores da sociedade, o que ajuda a suprir essa lacuna. “O diálogo que a gente faz com a população não é medido por like nem view no Instagram […] O contato que Lula tem com a classe trabalhadora é de reconhecimento. As pessoas sabem quem acabou com a fome no Brasil. No 1º ano de governo, fez o Fome Zero. A gente sabe o papel que o Bolsa Família teve para tirar milhões de pessoas que estavam abaixo da linha da pobreza da miséria”, afirma.

Köpf avalia que as plataformas digitais são movidas por interesses político-econômicos. “As redes têm lado, e tudo bem. A gente vê várias evidências de que Mark Zuckerberg [dono da Meta] é um aliado de [Donald] Trump, isso não é mentira. Então, não dá pra esperar que o Instagram vai estar de um lado oposto. É uma questão de mercado”, diz.

A petista reconhece que a direita conseguiu construir uma comunicação eficiente nas redes, mas entende que o PT também avançou na internet: “A gente tem melhorado na forma. A forma é importante”.

Ele diz haver um alinhamento com a Secretaria de Comunicação, chefiada por Eden Valadares. Há conversas sobre o conteúdo que é publicado nas redes do PT. “Mantemos um diálogo próximo com a comunicação, com as pessoas que trabalham lá. Eden veio da Juventude do PT. Ele é razoavelmente jovem também. Lógico que não somos consultados para cada peça, mas eles nos procuram e acho que é uma coisa bastante bacana”, declara.

História e renovação

Júlia Köpf rejeita a ideia de que a presença de lideranças históricas represente um obstáculo à renovação do PT. “Fico muito feliz de fazer parte de um partido que tem história, como é o PT, que nasceu da luta dos trabalhadores, do movimento estudantil, dos artistas, dos intelectuais e dos sindicalistas”, afirma. “A galera que hoje é a velha guarda participou da fundação, da construção e da resistência do partido”, acrescenta.

A dirigente citou nomes como José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, e Lula como exemplos de quadros que mantêm relevância para a legenda. Ela ressalta haver “muito respeito” por figuras históricas da sigla, mas defende renovação.

“Um partido não consegue se renovar se não faz uma renovação de quadros, uma renovação de pautas, uma renovação de práticas, uma renovação de prioridades políticas, declara.

Segundo Köpf, a Juventude do PT cumpre uma dupla função: participar das decisões internas da legenda e atuar com os movimentos estudantis, sociais e comunitários. Enfatiza que outros dirigentes passaram pelo setor, como Valadares e o secretário nacional de Organização da sigla, Laércio Ribeiro. 

Copyright Divulgação/Julia Köpf
Depois de ingressar na universidade em 2016, Julia Köpf iniciou a participação no movimento estudantil e se filiou ao PT em 2018

Da universidade ao PT

Julia Köpf foi eleita secretária-geral da UNE, em 2023. A participação no movimento estudantil e em atividades do PT teve início lá atrás, em 2016, quando ingressou no curso de administração da USP. No mesmo ano, passou a militar no Balaio, núcleo de estudantes petistas da instituição.

Filiou-se à legenda em 2018, ano marcado pela prisão de Lula e pela eleição de Jair Bolsonaro (PL). Um período em que a polarização se fez presente na sociedade.

“Parecia que toda semana tinha uma coisa nova acontecendo”, afirma ao recordar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, e os desdobramentos da operação Lava Jato.

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