Em clima de Copa, jogo da seleção brasileira (com ponto facultativo), festas juninas e pré-campanha eleitoral, a PEC do Fim da Escala 6 X 1, prioridade para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segue parada no Senado.
A Câmara aprovou a proposta que acaba com a escala 6 X 1 e reduz a jornada de trabalho em 27 de maio. O texto aguarda despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para iniciar a tramitação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
Alcolumbre não indicou relator nem apresentou um cronograma para a análise da PEC. Afirmou que a proposta deverá tramitar por comissões de trabalho da Casa Alta antes de ser votada no plenário. Esse rito de tramitação é mais demorado e deve impedir que a proposta possa ser aprovada em definitivo antes do início do recesso do Congresso, em 18 de julho.
Ao defender uma análise mais longa, o presidente do Senado afirmou que os senadores precisam ouvir representantes do setor produtivo, sindicatos e especialistas antes de deliberar sobre mudanças na jornada de trabalho. “Seria razoável o Senado poder melhorar o texto sem pressa. Ninguém pode dizer que o Senado, como Casa revisora, não tenha o direito de opinar e discutir”, declarou em 2 de junho.
Apesar da ausência de um cronograma, Alcolumbre marcou para a próxima 4ª feira (1º.jul.2026) uma reunião com representantes de centrais sindicais e governistas.
ATRITO ENTRE LULA E ALCOLUMBRE
Integrantes do governo reconhecem desde o início que a tramitação da PEC seria mais difícil no Senado do que na Câmara. Há uma avaliação que Alcolumbre pode vir a ser pressionado por senadores focados na reeleição para acelerar a votação da PEC.
No entanto, não há sinais de disposição de Alcolumbre em dar celeridade a uma pauta que pode fortalecer politicamente Lula às vésperas da campanha eleitoral. A relação entre o presidente e o chefe do Congresso segue estremecida.
Indicado por Lula ao STF, Jorge Messias foi o 1º nome a ser barrado pelo Senado em 29 de abril. Alcolumbre foi o protagonista das articulações nesse sentido depois que o seu amigo e senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) não foi o escolhido pelo petista.
Nas últimas semanas, o clima voltou a piorar. Alcolumbre colocou pautas-bomba para votar e ignorou os pedidos da equipe econômica para adiar a votação.
Caso a PEC não avance antes do recesso parlamentar, a tendência é que sua tramitação seja postergada para o 2º semestre. Com o Congresso tradicionalmente esvaziado de agosto a outubro por causa do calendário eleitoral, a conclusão da votação ainda em 2026 torna-se mais difícil.
