O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta se colocar como interlocutor do país nas negociações com os Estados Unidos. O congressista vai participar, em 6 de julho, da audiência pública sobre a investigação comercial aberta contra o Brasil.
O Planalto não enviará um representante para a consulta. As tratativas devem seguir restritas ao grupo de trabalho bilateral criado pelos 2 governos, já que o encontro é voltado à sociedade civil e setores privados.
A avaliação é que a participação de Flávio na audiência e a carta enviada ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, fazem parte de uma estratégia para dar ao senador um status institucional que ele não tem. A leitura no Planalto é que seguir esse movimento colocaria Flávio como um interlocutor legítimo das negociações, o objetivo buscado pelo congressista.
No Planalto, também há a visão de que Flávio chega aos Estados Unidos desgastado pelo debate em torno do tarifaço: a percepção é que a medida recaiu sobre o senador e seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
AS TARIFAS
Apesar de considerar difícil reverter a proposta do presidente Donald Trump (Partido Republicano) de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o governo não descarta uma negociação. Há disposição para buscar uma solução em respeito aos setores da economia brasileira que serão afetados pela medida.
Integrantes do governo afirmam que os Estados Unidos obtiveram vantagens nas negociações comerciais conduzidas recentemente com outros países e que o contexto político brasileiro também reduz o espaço para concessões de ambos os lados.
O grupo de trabalho entre Brasil e Estados Unidos deve voltar a se reunir antes de 15 de julho, data considerada um marco para o avanço das negociações. Uma das possibilidades analisadas pelo governo é solicitar mais tempo para as tratativas, caso seja necessário.
Também deve haver uma nova reunião entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR em inglês), Jamieson Greer.
