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Flávio tem apoio da direita e sombra de Vorcaro a 100 dias da eleição

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

A 100 dias das eleições, a consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na 2ª posição das pesquisas eleitorais, com vantagem quase intransponível sobre o 3º colocado, reforça sua posição como principal nome da direita na disputa de outubro. Em cenários de 2º turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o congressista se mantém competitivo. Mas ainda paira sobre o seu nome o risco de novos desgastes associados ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

De dezembro a maio, Flávio registrou crescimento contínuo nas pesquisas. Em alguns levantamentos, chegou a aparecer numericamente à frente de Lula em cenários de 2º turno, dentro da margem de erro. A divulgação dos áudios em que pede dinheiro a Vorcaro interrompeu esse movimento: as intenções de voto recuaram, mas mantiveram distância confortável para o 3º colocado. Ainda que sob suspeita do establishment e de líderes religiosos.

A candidatura de Flávio desponta com grande apoio no Sul e no Centro-Oeste, regiões que tradicionalmente concentram um eleitorado mais conservador e alinhado à direita. No recorte por gênero, o congressista tem vantagem entre os homens.

Mas a direita está mais fragmentada que a esquerda. Além de Flávio, nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) disputam o mesmo eleitorado.

CASO MASTER

Desde maio, as pesquisas passaram a refletir os efeitos do caso Banco Master. A pressão sobre Flávio aumentou depois que o Intercept Brasil revelou um áudio em que o senador pede dinheiro ao fundador da instituição, Daniel Vorcaro, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o veículo, ao menos US$ 10,6 milhões foram transferidos de fevereiro a maio de 2025 para viabilizar o projeto.

O governo tem explorado o caso como ativo no embate eleitoral. Lula e aliados atribuem as fraudes ligadas ao Master a Jair Bolsonaro, ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e ao senador. 

O episódio está longe de ser uma marca só do senador. Entre os 86% que afirmam ter tomado conhecimento do caso envolvendo o Master, 54% atribuem ao governo Lula a responsabilidade por ter permitido as irregularidades, mostrou levantamento PoderData/Aya de junho.

Os levantamentos ainda não indicam se a operação da Polícia Federal que mirou o então líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), atingirá Lula. Ele deixou o cargo na 4ª feira (24.jun). A PF investiga se Wagner atuou na Casa Alta a favor do Banco Master. 

A sombra do Banco Master que ao longo de junho pairou sobre a cabeça de Flávio agora ameaça nublar a popularidade de Lula. Mas esse desfecho ainda não está dado. As próximas pesquisas vão demonstrar se o caso ampliou o desgaste de Lula e se deixou o de Flávio menos relevante.

CONFLITOS COM MICHELLE

A campanha de Flávio também enfrenta dificuldades provocadas pelo seu próprio grupo político, que pode piorar sua desvantagem em relação a Lula no eleitorado feminino.

Michelle Bolsonaro (PL) publicou na 4ª feira 2 vídeos em seu perfil do Instagram em que afirma ter sido “apunhalada” e humilhada pelo senador. Ela lidera o PL Mulher no Brasil.

A ex-primeira dama tem dito a aliados que Flávio perdeu apoio de uma parcela relevante dos líderes evangélicos depois das recentes controvérsias envolvendo o caso Master. Na avaliação dela, o problema deixou de ser apenas eleitoral e passou a ser também de confiança.

Há entre pastores e líderes religiosos o receio de voltar a apoiar o senador e serem surpreendidos por novos fatos no futuro. A incerteza dificulta uma reaproximação de Flávio com um dos segmentos mais importantes do bolsonarismo.


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