O Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central), representante de servidores do BC (Banco Central), contratou a atriz Luana Piovani para gravar um vídeo e postar em suas redes sociais se posicionando de forma contrária à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que visa alterar a Constituição para dar autonomia técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira ao BC. As informações são da Folha de S. Paulo.
A PEC da autonomia financeira do BC foi aprovada em 10 de junho na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado e aguarda votação em plenário. O texto é relatado pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM). Na prática, a proposta:
- tira o BC da dependência direta do Orçamento Geral da União e permite que use receitas próprias para bancar despesas administrativas e operacionais;
- permite que o BC passe a ter mais controle sobre carreiras, salários e aposentadorias de seus servidores;
- colocar o Pix na Constituição, garantindo a gratuidade para pessoas físicas e proibindo sua privatização ou transferência para outro órgão.
O governo tentou alterar o texto para manter o BC como autarquia e incluir mais controles sobre o orçamento, mas a sugestão foi rejeitada pelo relator. O Sinal é contra a PEC por entender que transformar o BC em empresa pública pode reduzir o controle da sociedade sobre o órgão e aumentar a influência de bancos privados e empresas estrangeiras, prejudicando a fiscalização. Também alerta que o fim da estabilidade dos servidores pode afetar a independência dos funcionários para fiscalizar o sistema financeiro.
O pagamento recebido por Piovani foi de R$ 300 mil, autorizado pela direção do conselho regional do Sinal no Distrito Federal. Durante um encontro virtual em 9 de junho, o tópico foi discutido e mais tarde, no mesmo dia, Piovani publicou o vídeo com a tag “#publi” (usada para informar que um conteúdo é patrocinado. Os perfis regional e nacional do sindicato também foram marcados na publicação.
De acordo com a Folha, a presidente do Sinal-DF, Edna Velho, frisou durante a reunião a importância de uma “atuação mais incisiva” do sindicato nas redes sociais para falar sobre os “riscos” trazidos pela PEC.
A contratação de Piovani, que costuma se manifestar nas redes sociais sobre assuntos políticos e sociais, já vinha sendo considerada por Velho.
Além da contratação da atriz, outras investimentos em campanhas contrárias à PEC foram feitos:
- a contratação de um escritório de advocacia para elaborar uma nota técnica sobre os pontos sensíveis para a categoria, pelo valor de R$ 250 mil;
- a destinação de R$ 250 mil para ampliar a campanha contra a PEC.
O Poder360 tentou entrar em contato com a atriz Luana Piovani e o sindicato Sinal, mas não teve sucesso em encontrar um telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando fazer contato e este texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.
