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MP diz que PCC capturou Transunião e usava vereador do PT como braço político

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) afirmou nesta 5ª feira (25.jun.2026) que o PCC (Primeiro Comando da Capital) capturou a direção da empresa de ônibus Transunião e utilizava o vereador Senival Moura (PT-SP) como um “braço político” para defender os interesses do grupo junto ao poder público.

As declarações foram dadas durante entrevista a jornalistas sobre a operação Última Parada, realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e pela Polícia Civil. A ação cumpriu 103 mandados de busca e apreensão, 5 mandados de prisão e determinou o bloqueio de R$ 197 milhões em bens e ativos.

Segundo os investigadores, a Transunião foi usada para lavar recursos do crime organizado por meio da mistura de dinheiro ilícito com receitas obtidas pela operação do transporte público da cidade de São Paulo.

Vereador seria elo político

De acordo com o delegado Ronaldo Sayeg, as investigações indicam que Senival Moura integrava a estrutura empresarial ligada à Transunião e exercia influência sobre a companhia mesmo sem aparecer formalmente no quadro societário.

“O vereador funcionava como braço político dessa estrutura junto aos órgãos públicos”, declarou.

Os investigadores afirmam ter encontrado documentos e mensagens que indicariam participação do congressista na composição societária da empresa, inclusive como proprietário de parte da frota de ônibus.

Segundo o Ministério Público, comunicações interceptadas mostram que Senival mantinha poder de decisão sobre assuntos internos da empresa mesmo depois de deixar formalmente sua estrutura administrativa.

Empresa recebeu recursos públicos

Durante a coletiva, o promotor Lincoln Gakiya afirmou que a Transunião recebeu mais de R$ 180 milhões em subvenções da Prefeitura de São Paulo somente nos primeiros meses de 2026.

Segundo ele, a empresa teve sua direção “capturada pelo PCC” e era controlada por integrantes da facção e pessoas ligadas ao grupo criminoso.

O Ministério Público informou que a Prefeitura foi comunicada sobre a operação ainda nas primeiras horas da manhã e deverá assumir temporariamente a gestão da companhia após o afastamento dos diretores investigados.

Investigação começou com assassinato

De acordo com os promotores, o ponto de partida da investigação foi o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, morto a tiros em 2020 na zona leste da capital paulista.

A análise do celular, de pendrives e de outros materiais apreendidos depois do crime levou os investigadores a identificar movimentações financeiras suspeitas, documentos societários e relações entre a empresa e integrantes do PCC.

Segundo o Ministério Público, 2 dos alvos presos na operação desta 5ª feira (25.jun) já respondiam pelo homicídio de Adauto.

Os investigadores sustentam que a morte do executivo foi decretada depois que integrantes da facção descobriram desvios de recursos ligados à empresa.

Ligação com tráfico internacional

A investigação também recebeu provas compartilhadas pela operação Mafiusi, conduzida na Justiça Federal, que apura lavagem de dinheiro ligada ao tráfico internacional de cocaína.

Segundo o promotor Danilo Pugliese, parte dos recursos investigados teria relação com estruturas financeiras utilizadas pelo PCC para ocultar valores obtidos com atividades criminosas.

As apurações também identificaram transações financeiras entre a Transunião e investigados em outras operações policiais relacionadas à facção.

Modelo já havia sido identificado

O Ministério Público afirma que o esquema reproduzia o mesmo modelo identificado anteriormente nas empresas UpBus e Transwolff, alvos da operação Fim da Linha, deflagrada em 2024.

Segundo os investigadores, empresas de transporte coletivo passaram a receber aportes de capital sem origem econômica comprovada durante o processo de transformação de cooperativas em sociedades empresariais.

A suspeita é que integrantes do PCC tenham financiado esses aportes para assumir participação oculta nas companhias e utilizar o setor para lavar dinheiro.

Os promotores afirmaram que, até o momento, não há indícios de participação de outros políticos além de Senival Moura no esquema investigado, segundo o MP-SP.