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Inflação sobe e exige Selic alta por mais tempo, diz BC

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 5 horas)

O diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Paulo Picchetti, afirmou nesta 5ª feira (25.jun.2026) que a inflação no país segue acima do teto da meta, de 4,5%, com pressões disseminadas e sinais de persistência em serviços e componentes ligados ao mercado de trabalho.

A autoridade monetária disse que o cenário exige cautela na condução da Selic.

Inflação e mercado de trabalho

A inflação cheia e as medidas subjacentes avançaram nas leituras mais recentes, atingindo níveis acima do limite superior da meta, com impacto relevante dos alimentos e dos serviços, segundo o diretor.

“A inflação segue acima da meta e as expectativas permanecem desancoradas em todos os horizontes relevantes, com uma distribuição assimétrica, com maior risco de desvios para cima do que para baixo”, declarou.

Picchetti afirmou que a dinâmica reflete tanto choques de oferta quanto efeitos de demanda, em um ambiente de mercado de trabalho aquecido e salários reais em alta acima da produtividade.

“Os modelos não olham apenas o cenário central, mas também as caudas de risco, ou seja, eventos extremos. Isso mostra que choques de oferta e de demanda podem afastar ainda mais a inflação da meta.”

O diretor disse que a transmissão da política monetária já aparece na desaceleração do crédito, mas ainda de forma gradual, com crescimento mais moderado para pessoas físicas e jurídicas e aumento da inadimplência. Segundo ele, o cenário fiscal também contribui para a piora da percepção de risco, com efeito sobre os juros de longo prazo.

Expectativas e juros

No campo das expectativas, Picchetti declarou que os agentes econômicos mantêm projeções de inflação acima da meta em todos os horizontes, com desancoragem adicional nos prazos mais longos.

“Isso tudo reforça que o custo de convergência da inflação é maior em um ambiente de expectativas desancoradas, o que exige uma política monetária mais restritiva por mais tempo.”

O diretor afirmou ainda que o cenário externo segue incerto, com impactos de tensões geopolíticas sobre preços de commodities e condições financeiras globais, o que reforça a necessidade de cautela em economias emergentes.

ATA DO COPOM

As declarações se alinham ao conteúdo da ata mais recente do Copom, que indica inflação acima da meta, atividade econômica ainda resiliente e riscos assimétricos para os preços. O documento também afirma que choques recentes elevaram a inflação, enquanto expectativas desancoradas demandam política monetária mais restritiva por período prolongado.

O Copom destacou ainda que a inflação de serviços permanece pressionada pelo mercado de trabalho aquecido e que a política fiscal e a percepção de risco afetam a taxa de juros neutra. Nesse contexto, o comitê reafirmou o compromisso com a convergência da inflação à meta e a cautela na condução da Selic.