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Renan Santos diz que Flávio é inviável contra Lula e mira 2º turno

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

Pré-candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos avalia que o senador e também pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é “inviável” como alternativa da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que o “bolsonarismo” perdeu força como movimento eleitoral. As declarações foram feitas em entrevista ao Estadão/Broadcast Político publicada nesta 4ª feira (24.jun.2026). 

Fundador do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos estreia nas urnas em 2026 e aposta em um espaço deixado pelo desgaste “bolsonarista” para avançar ao 2º turno. A meta declarada é alcançar 10% das intenções de voto antes de agosto, quando começa oficialmente a campanha eleitoral. 

Renan argumenta que a candidatura de Flávio Bolsonaro tem perfil defensivo e não consegue ampliar a base eleitoral. “A campanha do Flávio é uma campanha morta. É uma campanha de defesa, não de ataque”, afirmou. Na avaliação do pré-candidato do Missão, o eleitor fiel ao legado de Jair Bolsonaro (PL) representa de 10% a 15% do eleitorado total, o que tornaria impossível uma vitória. 

Para Renan, há distinção entre o antipetista ideológico e o eleitor pragmático que votou em Bolsonaro por rejeição ao PT. “Todo bolsonarista é antipetista, mas nem todo antipetista é bolsonarista”, disse. Ele aposta justamente nesse 2º grupo, sobretudo na faixa etária de 30 a 55 anos, para construir uma migração de votos em sua direção. 

Renan afirma ter superado os governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) nas pesquisas da Atlas Intelligence e diz preferir essa metodologia ao Datafolha. “Não acredito no Datafolha. Eu me fio muito mais em pesquisas como as da Atlas. Por quê? Porque é a metodologia que vem acertando no mundo, ela costuma captar o avanço das tendências de maneira mais veloz”, afirmou. 

O pré-candidato também associou o enfraquecimento “bolsonarista” ao desânimo no campo oposto. “O governo Lula foi fraco, essa é a real. Ninguém está motivado em fazer campanha para o Lula. E o bolsonarismo morreu, ainda mais com um candidato como o Flávio. Então é um fenômeno morto”, disse. 

Propostas de Renan 

Em relação ao Bolsa Família, Renan defendeu uma reformulação do programa com ênfase na inserção dos beneficiários no mercado de trabalho. Ao justificar a mudança, usou linguagem que causou controvérsia: “A Região Nordeste, que tem 40% dos domicílios no Bolsa Família, é claramente um lugar que está doente”, afirmou. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo IBGE em maio de 2026, mostram que 32,4% dos lares nordestinos têm ao menos um beneficiário do programa, percentual inferior ao citado pelo pré-candidato. 

A proposta projeta combate a fraudes no Bolsa Família e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), além da criação de frentes de trabalho voltadas especialmente a homens e mulheres sem filhos em idade ativa nos municípios com maior concentração de beneficiários. 

Na segurança pública, Renan defende a decretação de estado de defesa em cidades dominadas pelo crime organizado e a incorporação da tese jurídica do “direito penal do inimigo” à legislação brasileira; a medida suspenderia garantias constitucionais de integrantes de facções criminosas. O pré-candidato reconhece o risco de uso abusivo do mecanismo e diz que a redação da lei precisa ser restritiva. “Essa lei, como prevê uma retirada de direitos e prerrogativas de determinados brasileiros, ela tem que ser muito clara, não pode ser aberta. O maior perigo dela é a interpretação extensiva feita pelo Judiciário”, alertou. 

Na Previdência, Renan propõe uma reforma paramétrica centrada na criação de um gatilho automático vinculado a dados do IBGE para elevar a idade mínima de aposentadoria conforme aumenta a expectativa de vida dos brasileiros. A revisão também incluiria exceções aplicadas ao funcionalismo público. “A última reforma foi tão eivada de exceções que ela não foi suficiente. Nem de longe”, disse. 

Na área tributária, o pré-candidato defende a revisão de renúncias fiscais concedidas a setores produtivos. A Zona Franca de Manaus foi citada como exemplo prioritário; segundo Renan, apenas a Honda tem de R$ 15 bilhões a R$ 16 bilhões em renúncia fiscal por ano naquele modelo. Ele afirmou, porém, que qualquer redução da carga tributária depende de uma reforma fiscal prévia e que não seria possível implementá-la antes do segundo ano de eventual governo. 

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