A candidata de direita Keiko Fujimori (Força Popular), de 51 anos, abriu vantagem irreversível na disputa pela Presidência do Peru nesta 4ª feira (24.jun.2026), depois de uma apuração que se estendeu por mais de duas semanas. Com 99,85% das urnas contabilizadas, a candidata garantiu vantagem matemática sobre o adversário de esquerda Roberto Sánchez (Juntos por el Perú, esquerda).
Dados oficiais atualizados durante a madrugada mostram Keiko com 9.206.241 votos, o equivalente a 50,11% dos votos válidos. Sánchez recebeu 9.162.855 votos, ou 49,82%. A diferença entre os candidatos ficou em cerca de 43.000 votos.
Mesmo com votos pendentes de contabilização, o resultado tornou-se irreversível. Segundo Onpe (Escritório Nacional de Processos Eleitorais), restavam cerca de 40.000 votos a serem apurados, quantidade inferior à vantagem registrada pela candidata.
A vitória encerra uma sequência de 3 derrotas eleitorais de Keiko em disputas presidenciais. Esta foi a 4ª candidatura consecutiva da líder do Força Popular ao cargo e a 1ª desde a morte de seu pai, Alberto Fujimori, em 2024. Se confirmada a eleição, Keiko deve tomar posse em 28 de julho.
Nascida em 25 de maio de 1975, em Lima, Keiko Sofía Fujimori Higuchi é filha de Alberto Fujimori e Susana Higuchi. Sua vida esteve ligada à política desde cedo, já que em 1994, com 19 anos, assumiu o papel de primeira-dama depois da separação de seus pais.
Formada em administração de empresas pela Universidade de Boston e mestre pela Universidade Columbia, nos Estados Unidos, Keiko iniciou sua carreira política em 2006, quando foi eleita deputada com mais de 600 mil votos.
Em 2009, fundou o partido Força Popular, que preside desde 2013.
LEGADO DE ALBERTO FUJIMORI
Durante a campanha, Keiko associou sua candidatura ao legado político do pai, que governou o Peru de 1990 a 2000 e permanece como uma das figuras mais controversas da política do país.
Seu governo foi marcado por uma reestruturação econômica e por abusos de direitos humanos. Promoveu um autogolpe em 1992 e sofreu impeachment em 2000, durante um processo por corrupção. Em 2009, foi condenado a 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade e por corrupção. Ficou preso por 16 anos, até ser solto em 6 de dezembro de 2023, depois de o Tribunal Constitucional restituir um indulto humanitário de 2017.
Seus apoiadores atribuem ao ex-presidente a estabilização econômica e o enfrentamento de grupos insurgentes armados. Críticos, por outro lado, relacionam sua gestão a violações de direitos humanos e práticas autoritárias, sendo considerado o último ditador do país.
Em sua campanha, Keiko adotou um discurso de retomada da ordem pública e prometeu ampliar ações de segurança, endurecer medidas de combate ao terrorismo e reforçar o uso de inteligência e forças especiais contra organizações criminosas.
HISTÓRICO POLÍTICO E INVESTIGAÇÕES
A trajetória política de Keiko também foi marcada por investigações judiciais. Ela foi acusada de recebimento irregular de recursos para campanhas eleitorais em um caso relacionado à construtora brasileira Odebrecht.
Segundo a acusação, os recursos teriam sido destinados às campanhas presidenciais de 2011 e 2016. O caso ficou conhecido como “Caso Cócteles”, em referência a eventos realizados para arrecadação de recursos.
Keiko negou irregularidades e afirmou que os valores recebidos tinham origem legal. Entre 2018 e 2020, ela chegou a ser presa preventivamente em duas ocasiões, permanecendo detida por cerca de 17 meses. Em 2025, a Justiça peruana anulou o processo.
CENÁRIO DO PERU
Keiko pode assumir o comando do país em um período marcado por sucessivas crises políticas. O Peru teve 9 presidentes nos últimos 10 anos, durante renúncias, processos de impeachment e disputas entre Executivo e Legislativo.
Apesar do histórico recente de instabilidade, o Força Popular inicia o novo governo com força no Congresso. O partido conquistou a maior bancada nas duas Casas legislativas, elegendo 41 deputados e 22 senadores.
