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Lula e Jaques Wagner têm reunião marcada dias depois de operação da PF

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), têm reunião marcada para esta 4ª feira (24.jun.2026). Será o 1º contato pessoal entra os dois desde o dia 18 de junho, quando o senador foi alvo de uma operação da Polícia Federal sobre o Banco Master.  

O destino de Wagner ainda é incerto. Apesar da avaliação de pessoas próximas ao governo ser de que o presidente não deverá retirar o senador do cargo, há a expectativa de que Wagner entregue a liderança. 

O encontro, cujo horário não foi divulgado, não consta nas agendas dos políticos. A assessoria de Jaques Wagner não confirma a reunião. Na tarde de 3ª feira (23.jun), disse que o senador estava na Bahia, sem previsão de retorno a Brasília. A Secom (Secretaria de Comunicação Social) também não confirmou oficialmente o encontro.

SENADORES DISCUTEM SUCESSÃO

A bancada do governo no Senado tem antecipado discussões sobre a sucessão do senador na liderança. A troca é considerada difícil devido à proximidade e ao nível de confiança entre Wagner e Lula. 

A senadora Teresa Leitão (PT-PE), até o momento, é o nome mais cotado para assumir o posto. Há um impasse porque ela já é líder do PT no Senado e, caso mude de cargo, a sigla deverá indicar outra pessoa para a vaga.

Ao Poder360, Leitão afirmou que “tudo só pode ser resolvido depois que o presidente se posicionar”.

Integrantes do governo já declararam apoio a fim de que Wagner se retire da liderança. O deputado Rogério Correia (PT-MG) disse que o senador deve se afastar do posto “para se dedicar à sua defesa, resguardada a presunção de inocência”. Já a ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet (PSB) corroborou para a saída do senador em entrevista ao Poder360.

“Ele já deveria ter entregue o cargo. Eu falo como advogada, todos têm direito à ampla defesa e ao contraditório, mas ele é líder do Governo. Para não expor o próprio governo, ele deve pedir, obviamente, a meu ver, o afastamento. Até para que possa cuidar de sua defesa, e fazer os movimentos que achar pertinentes”, afirmou Tebet.

CONFIANÇA EM LULA

O senador disse acreditar que Lula o manterá como líder do Governo no Senado. Afirmou ter conversado com o presidente pouco depois dos mandados contra ele, na 5ª feira (18.jun).

Acho, sinceramente, que ele não irá mexer na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim. Fez questão de me ligar para se solidarizar”, declarou em entrevista ao canal de televisão Band News.

ALVO DA PF

Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da operação Compliance Zero deflagrada pela PF em 18 de junho para investigar a possível participação de agentes públicos em um esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional. Além do senador,  o empresário Augusto Ferreira Lima, proprietário do Banco Pleno e ex-sócio do Banco Master, foi um dos alvos das medidas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Ao todo, foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, além de medidas cautelares, como proibição de contato entre investigados e suspensão de passaportes. De acordo com a corporação, os fatos apurados podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

OUTRO LADO

Leia a íntegra da nota da assessoria de Jaques Wagner enviada à imprensa:

“O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.

“Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.

“Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá.”