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Israel não sairá do Líbano mesmo sob pressão dos EUA, diz ministro

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse nesta 4ª feira (24.jun.2026) que as Forças de Defesa de Israel não retirarão suas tropas do sul do Líbano. A afirmação é feita mesmo diante de uma eventual exigência dos Estados Unidos. 

A declaração se dá depois de um memorando assinado pelos EUA e pelo Irã na 6ª feira (20.jun.) que impõe uma trégua nos ataques, inclusive no Líbano. 

Katz fez a declaração a autoridades israelenses no evento Muni Expo, em Tel Aviv, segundo o jornal Times of Israel. Ele justificou a posição com base em episódios anteriores em zonas de segurança no sul do Líbano.

“200 mil moradores libaneses não voltarão às casas que evacuaram porque o que aconteceu no passado em zonas de segurança, onde também havia população civil foram bombas à beira da estrada e ataques contra os soldados, e, portanto, não permitiremos que isso aconteça. Mesmo que haja uma demanda norte-americana”, afirmou Katz.

Na 2ª feira (22.jun), os Estados Unidos suspenderam as sanções ao petróleo iraniano. Em contrapartida, o país persa abriu o estreito de Ormuz.

Os Estados Unidos também concordaram em encerrar o bloqueio naval ao Irã em até 30 dias, liberar exportações de petróleo e serviços iranianos por meio de autorizações temporárias, remover sanções e desbloquear ativos conforme cronograma do acordo, além de participar e organizar um plano de reconstrução de US$ 300 bilhões.

SEMANA DE REUNIÕES

No domingo (21.jun) e na 2ª feira (22.jun), as delegações dos 2 países se reuniram na Suíça. Paquistão e Qatar, mediadores da negociação, informaram que norte-americanos e iranianos chegaram a 2 entendimentos centrais:

  • o 1º foi a criação de um mecanismo para encerrar os combates entre Israel, aliado dos EUA, e o Hezbollah, alinhado ao Irã, no Líbano.
  • o 2º foi a abertura de um canal de comunicação para garantir a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz, rota essencial para o abastecimento global de petróleo e gás natural liquefeito.

As negociações técnicas continuarão durante o restante da semana em Buergenstock, estância de montanha suíça de propriedade do Qatar, segundo comunicado conjunto.

Apesar do avanço anunciado pelas duas partes, há divergências sobre a condução das negociações e do que foi acordado. Segundo a agência iraniana Tasnim, a delegação do Irã se recusou a retornar à sala de reuniões depois que ameaças atribuídas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vieram a público. A partir daí, as conversas teriam prosseguido apenas por meio dos mediadores.

Já um diplomata norte-americano ouvido pela Reuters negou essa versão e afirmou que os representantes iranianos permaneceram nas negociações durante todo o processo. Segundo ele, as discussões seguiram até altas horas da noite e incluíram temas como o estreito de Ormuz, o Líbano, o programa nuclear iraniano e a implementação do memorando firmado entre os dois países.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), disse, em postagem na Truth Social na 3ª feira (23.jun.2026), que o Irã aceitou inspeções nucleares de “mais alto nível” em caráter permanente. 

A declaração veio horas depois de o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmar que o país não tem “um plano para que a AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica] inspecione as instalações iranianas”, segundo a agência Isna.

A autorização de acesso da AIEA constava no memorando inicial assinado na 6ª feira (20.jun).

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