O Psol divulgou, nesta 4ª feira (24.jun.2026), que pretende destinar R$ 2,3 milhões do fundo eleitoral à campanha de reeleição da deputada federal Erika Hilton (SP) —R$ 100 mil a mais do que o previsto a outras candidaturas ao mesmo cargo. O valor é cerca de 61,5% mais alto que o recebido pela congressista nas eleições de 2022 (R$ 1,4 milhão).
O anúncio veio um dia depois de a congressista criticar publicamente a direção nacional da sigla por, segundo ela, priorizar brancos e pessoas cis na distribuição dos recursos.
Em nota, o Psol disse que “posiciona a campanha de Erika Hilton como maior investimento entre todas as candidaturas proporcionais do partido”.
A rixa na sigla iniciou quando Hilton disse, na 3ª feira (23.jun), que a direção nacional do Psol descumpriu acordos eleitorais firmados com lideranças do partido e distribuiu recursos de campanha de forma desigual, em detrimento de candidaturas negras, transexuais e periféricas.
Posteriormente, o vereador do Rio de Janeiro e pré-candidato a deputado federal, Rick Azevedo (Psol-RJ), também criticou a direção nacional do partido pelo que chamou de “erro” na distribuição de recursos eleitorais para as eleições de 2026.
Como exemplos, Erika Hilton citou Juliano Medeiros, presidente da Federação Psol-Rede e estreante em campanhas, que possivelmente receberia prioridade equivalente à dela na distribuição de recursos.
Manuela D’Ávila, que era filiada ao PC do B e, segundo Hilton, “acabou de chegar ao partido”, teria previsão de receber mais que o dobro do valor destinado à deputada. D’Ávila concorrerá ao Senado pelo Rio Grande do Sul.
“Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios”, afirmou Hilton. “A inteligência política passou longe”.
O Psol afirmou que o incentivo, inclusive financeiro, a candidaturas de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTs e PCDs “é uma política consolidada” e não há mudanças em torno do tema sendo discutidas.
O Poder360 procurou a assessoria de Erika Hilton, via aplicativo de mensagens, para perguntar se a congressista gostaria de emitir uma declaração sobre a nota do partido. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Eis a íntegra da nota do Psol:
“O Psol empenha toda a sua energia para derrotar a extrema-direita nas eleições de outubro, ampliando sua bancada de deputados federais e estaduais, conquistando cadeiras no Senado e reelegendo Lula presidente da República.
“A distribuição de recursos eleitorais está em conformidade com esses objetivos. O incentivo —inclusive financeiro, no qual o Psol é pioneiro— a candidaturas de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTs e PCDs é uma política consolidada, não havendo debate em torno de mudanças nesse sentido.
“A proposta, que ainda será votada nas instâncias partidárias, leva em conta essas metas e estabelece um teto, com o maior valor possível, para todos os detentores de mandato que buscarão a reeleição, considerados nossos principais puxadores de voto.
“Ao mesmo tempo, posiciona a campanha de Erika Hilton como maior investimento entre todas as candidaturas proporcionais do partido, diante do limite de recursos disponíveis e da necessidade de financiamento das demais candidaturas, tanto majoritárias quanto proporcionais em todas as Unidades da Federação.
“O Psol tem como missão fazer a política brasileira se parecer mais com o povo. Por isso, nossa bancada é a mais diversa do Congresso Nacional. Em 2026, vamos novamente transformar esse compromisso em representação concreta.
“Direção nacional do Psol”
