O ministro decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, voltou a criticar o presidente do tribunal, Edson Fachin, pela proposta de código de conduta para os ministros. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta 2ª feira (22.jun.2026), Mendes disse que o momento em que foi apresentada a proposta foi “ruim” e pareceu um “aproveitamento”.
O ministro faz menção à ideia apresentada em dezembro de 2025 por Fachin para criar um conjunto de regras sobre a conduta ética dos ministros. Para o decano, o momento coincidiu com as menções aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com possíveis ligações com o fundador do Banco Master.
“Pareceu um aproveitamento para não discutir uma série de questões que temos no Judiciário. Não foi um bom momento porque não se aprova nessas circunstâncias. Podemos ter as ideias mais interessantes e elaboradas para as finalidades mais diversas, mas, se quer aprovar, é preciso unir o colegiado”, declarou.
O decano afirmou que, da forma como foi apresentada aos ministros, a proposta de código de conduta era uma “cortina de fumaça que não ia reunir o colegiado, não ia reunir votos”. O ministro afirmou que defende que a proposta seja elaborada e discutida por uma comissão interna do tribunal.
“Eu acho que o presidente tem a obrigação de conduzir o tribunal e perceber o momento de tomar as medidas. Naquele momento, o tribunal estava sob ataque”, disse.
O decano criticou a cobertura da imprensa sobre o STF e afirmou que lhe cabe a responsabilidade por parte da perda de popularidade da Corte.
Gilmar Mendes completou 24 anos no STF na última semana. O ministro costuma, por perfil, conceder entrevistas e realizar manifestações públicas sobre temas sensíveis envolvendo os Três Poderes. Segundo levantamento do Poder360, em 2 meses, o decano concedeu 11 entrevistas a veículos jornalísticos.
Na última 6ª feira (19.jun), Edson Fachin afirmou que quer submeter ao plenário da Corte a proposta de um novo código de ética assim que receber o texto das mãos da ministra Cármen Lúcia. Relatora da medida, Cármen deve entregar o relatório antes do fim do ano.
A declaração foi dada durante o seminário “A Justiça do Amanhã”, realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O evento debateu os rumos do Judiciário e teve ingressos gratuitos distribuídos mediante retirada antecipada. Leia a íntegra do discurso do presidente do STF (PDF – 351 kB).
