O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu para falar em audiência pública nos Estados Unidos antes da decisão final sobre a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Segundo o documento apresentado para a inscrição, Flávio deve pedir a suspensão do tarifaço e propor uma “resolução construtiva e negociada das questões identificadas na investigação”. Leia a íntegra (PDF – 160 KB).
O senador deve dizer que a tarifa, “na prática, beneficiaria o governo atual, cuja conduta a investigação descreve”, enquanto prejudicaria os exportadores do Brasil, os importadores norte-americanos, os consumidores dos EUA e a oposição brasileira, “que é a principal vítima doméstica da conduta em questão”.
Segundo a solicitação, Flávio quer 5 minutos para dar o seu depoimento. No texto, ele mencionou que se reuniu recentemente com o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), com o vice-presidente, JD Vance (Partido Republicano), e com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para tratar do assunto.
A audiência pública será realizada em 6 de julho. O prazo limite legal para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil é 15 de julho de 2026. A decisão sobre a aplicação da tarifa cabe a Trump.
ENTENDA
A adoção da nova tarifa foi proposta em 1º de junho depois de o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, na sigla em inglês) concluir a investigação da seção 301 contra o Brasil. A medida foi apresentada como resposta ao que o governo norte-americano vê como práticas comerciais injustas.
O documento do USTR lista como alvos da apuração temas como Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Uma das conclusões é que o Brasil adota políticas públicas que favorecem o Pix e colocam as empresas norte-americanas que atuam no setor de serviços de pagamento eletrônico em uma “desvantagem injusta”.
Alguns produtos, porém, foram poupados da tarifa. É o caso de carnes, frutas, minerais, café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palhas e forragens.
Também foram isentos da tarifa aeronaves e peças de aeronaves brasileiras, terras-raras, produtos químicos orgânicos, produtos farmacêuticos e fertilizantes.
A medida integra a tentativa de Trump de reconstruir sua política tarifária depois de derrotas judiciais nos EUA. O governo norte-americano passou a usar investigações específicas por país para embasar novas cobranças sobre importações. A Seção 301 exige consultas, audiências e apuração individual antes da entrada em vigor das tarifas.

HISTÓRICO
A proposta foi apresentada depois de uma tentativa de reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump. Os 2 presidentes se reuniram em Washington em 7 de maio e trataram de tarifas, combate ao crime organizado e minerais críticos. Na sequência, o governo brasileiro recebeu prazo de 30 dias para negociar com os EUA medidas comerciais.
Também foi apresentada depois de atritos entre os 2 países em 2025. Naquele ano, Trump impôs tarifa de 50% sobre importações brasileiras como forma de pressionar o Brasil a interromper o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado do republicano. Depois, os EUA reduziram parte das tarifas, e decisões judiciais limitaram o alcance das cobranças.
Os Estados Unidos mantêm superavit comercial com o Brasil há uma década.

