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Saiba quem é Andy Burnham, favorito para substituir Keir Starmer

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester, é cotado para substituir Keir Starmer no comando do governo britânico. A renúncia do primeiro-ministro trabalhista, anunciada nesta 2ª feira (22.jun.2026), e a vitória de Burnham em uma eleição suplementar para representar Makerfield, no noroeste da Inglaterra, impulsionaram sua candidatura à liderança do Partido Trabalhista do Reino Unido.

A ascensão de Burnham ao centro das especulações retoma um objetivo perseguido há anos. Ele disputou duas vezes a liderança trabalhista sem sucesso: em 2010, quando terminou em 4º lugar depois da derrota do partido nas eleições gerais, e em 2015, quando iniciou a disputa como favorito e foi derrotado por Jeremy Corbyn. Desde 2017, construiu sua trajetória fora de Westminster como prefeito da Grande Manchester, cargo que ocupa há nove anos.

Burnham nasceu em Liverpool em 1970, filho de um técnico de telefonia e de uma recepcionista de consultório médico. Cresceu em Culcheth, vila no condado de Cheshire, próxima a Makerfield. De ascendência irlandesa, estudou em escolas públicas católicas e ingressou na Universidade de Cambridge para cursar Literatura Inglesa. Em Cambridge, conheceu Marie-France Van Heel, nascida nos Países Baixos. Os dois se casaram em outubro de 2000 e tiveram três filhos.

Depois de se formar, trabalhou como pesquisador de Tessa Jowell, deputada do sul de Londres, e depois como assessor de Chris Smith, então secretário de Cultura. Em 2001, foi eleito para representar Leigh, distrito no norte da Inglaterra. No governo de Tony Blair, tornou-se ministro júnior e foi promovido ao gabinete sob Gordon Brown. Ocupou os cargos de secretário-chefe do Tesouro, secretário de Cultura, Mídia e Esportes e secretário da Saúde.

Em 2009, Burnham foi vaiado durante uma cerimônia em memória dos 20 anos do desastre de Hillsborough, que resultou na morte de 97 torcedores do Liverpool FC esmagados em um estádio. O episódio marcou sua trajetória política. Ele passou a defender uma 2ª investigação depois de a polícia, investigadores e parte da imprensa atribuírem responsabilidade às vítimas. A pressão levou à abertura de um novo processo.

Como prefeito de Manchester, Burnham ganhou o apelido de “rei do Norte” ao defender a região durante a pandemia de Covid-19 e criticar as medidas de restrição adotadas pelo governo, por entender que afetavam de forma desproporcional áreas como a sua. Um discurso feito no centro de Manchester naquele período teve ampla repercussão.

Virtudes e críticas

Os apoiadores de Burnham o veem como uma possível resposta do Partido Trabalhista ao avanço do Reform UK, partido populista de direita liderado por Nigel Farage. John McTernan, ex-assessor de Tony Blair, descreveu o político da seguinte forma: “Ele é simplesmente otimista, alegre e parece gostar de ser político”, declarou. “Os líderes ou inspiram você ou o deixam um pouco deprimido”, acrescentou. Segundo McTernan, vários primeiros-ministros recentes “pareciam gostar do cargo”, incluindo Starmer.

Uma crítica recorrente a Burnham é a de que ele seria politicamente maleável. Por ter servido sob três líderes trabalhistas de perfis distintos — Blair, Brown e Corbyn —, consolidou a imagem de um político que “gosta que gostem dele”. O próprio Starmer explorou essa percepção em 2022, depois da Copa do Mundo. Em conversa com jornalistas, afirmou que Burnham “pôde ver seu time de infância, a Argentina, ganhar a Copa do Mundo”, mas que “foi uma experiência mista porque também viu seu time de infância, a França, perder a final, e seus times de infância, Marrocos e Croácia, serem eliminados nas semifinais”.

McTernan afirmou que “um político que busca agradar as pessoas é muito melhor do que um político que as detesta”.

Há dúvidas sobre sua atuação em política econômica. No ano anterior à publicação desta reportagem, Burnham afirmou que o Partido Trabalhista deveria ir “além de ficar refém dos mercados de títulos públicos”, frase que depois disse ter sido mal interpretada. Em entrevista à BBC, demonstrou incerteza ao comentar aspectos da política econômica.

Um tema constante em sua trajetória é a crítica à centralização da política britânica em Londres e à desigualdade regional, argumento apresentado em seu primeiro discurso na Câmara dos Comuns, em 2001. Em entrevista recente, afirmou que o Reino Unido estava “no caminho errado há 40 anos”.


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