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Keir Starmer renuncia no Reino Unido após 23 meses no cargo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

Keir Starmer (Partido Trabalhista) renunciou nesta 2ª feira (22.jun.2026) ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, depois de 23 meses na função. A declaração foi feita no nº 10 da Downing Street (endereço do escritório e residência do premiê). Ele afirmou já ter conversado com o rei Charles 3º.

Starmer, 63 anos, enfrentava uma crise em seu governo, com pedidos de integrantes de seu partido pela renúncia. Com o anúncio de seu plano de saída, ele abre caminho para que Andy Burnham, que conquistou uma cadeira no Parlamento britânico na última 5ª feira (18.jun), se torne primeiro-ministro.

Advogado, Starmer começou a ganhar destaque ao ser nomeado em 2008 “director of public prosecutions” da Inglaterra e País de Gales. O cargo é conhecido pela sigla DPP e faz parte do Ministério Público britânico. O DPP comanda a persecução penal e fica abaixo apenas do procurador-geral, tendo poderes para começar uma investigação. Starmer ficou no cargo até 2013. Em 2014 recebeu o título de cavaleiro comandante da Ordem de Bath (“knight commander of the Order of the Bath”), concedido pelo então príncipe Charles, agora o rei do Reino Unido.

Reservado e político tardio, Starmer foi eleito deputado pela 1ª vez aos 52 anos, em 2015. É chamado de esquerdista pelos adversários, mas é considerado mais moderado que Jeremy Corbyn, o líder trabalhista a quem sucedeu no comando do partido, em abril de 2020.

Na juventude, em 1986 e 1987, Starmer foi editor da revista Socialist Alternatives, uma publicação agora extinta e que era defensora das ideias de Leon Trotsky (1879-1940), um dos líderes da Revolução Russa de 1917. Na política mais contemporânea, Starmer foi contra a saída do Reino Unido da União Europeia, processo que ficou conhecido como Brexit (junção das palavras “Britain” e “exit”).

Starmer assumiu em julho de 2024. Foi o 1° trabalhista a ocupar o cargo em 14 anos –o último governante do partido havia sido Gordon Brown, de 2007 a 2010.

Vinha crescendo nos últimos tempos o descontentamento com a liderança de Starmer, inclusive dentro do Partido Trabalhista, por decisões controversas e queda de popularidade.

Em fevereiro, por exemplo, o político foi criticado pela forma como lidou com a revelação de que Peter Mandelson, nomeado por ele para ser embaixador do Reino Unido nos EUA no fim de 2024 –cargo para o qual foi destituído em setembro de 2025–, era mencionado nos arquivos de Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. O caso fez com que, em uma semana, 3 altos funcionários do gabinete de Starmer pedissem demissão.

A derrota do Partido Trabalhista nas eleições locais e regionais na Inglaterra, Escócia e País de Gales, em maio, intensificou a pressão para que Starmer renunciasse.


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