O regime iraniano executou pelo menos 45 pessoas com base em acusações políticas em 2026, segundo reportagem do jornal The Wall Street Journal. A maioria das execuções se deu nos últimos 3 meses, durante o conflito com os Estados Unidos e Israel.
O aumento da represália interna seria uma forma de o regime manter, por meio do medo, o controle sobre uma população insatisfeita. Casos recentes de punições incluem a condenação à chibatadas por apresentação artística sem o hijab –véu islâmico que cobre os cabelos. Foi o caso da cantora Parastoo Ahmadi, que postou um vídeo no YouTube em 2024 no qual aparece sem a vestimenta.
O chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, afirmou em maio que 6,500 pessoas foram presas desde o início da guerra. Classificou os detidos como “traidores” e “espiões”, segundo o Iran International.
Em abril, o chefe do Judiciário, Gholam Hossein Mohseni-Ejei, anunciou que casos de suposta colaboração com “regimes agressores” seriam julgados rapidamente e “tratados de forma decisiva e sem clemência pela lei”, segundo o WSJ.
A escalada das execuções preocupa grupos de direitos humanos, que veem o crime de espionagem como acusação elástica para sufocar a atividade política.
O destino de milhares de iranianos ainda presos por terem participado dos protestos de janeiro de 2026, que tiveram apoio do presidente norte-americano Donald Trump (Partido Republicano), é incerto. À época, o Irã disse que não realizaria execução de manifestantes.
ACORDO COM OS EUA
Nesta 2ª feira (22.jun.2026), autoridades falaram em “progressos encorajadores” na negociação entre EUA e Irã. Os países concordaram com um roteiro para um acordo final em 60 dias, que inclui o fim da guerra.
O Irã busca, com um acordo, a liberação de ativos congelados e isenções para as exportações de petróleo. A medida ajudaria a desafogar a economia iraniana.
