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Joaquim Barbosa é desqualificado e pedirei revisão criminal, diz Delúbio

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, 70 anos, tentará uma vaga na Câmara por Goiás, Estado onde nasceu. Ele busca voltar à cena política depois de ter sido condenado no Mensalão –esquema com suborno a congressistas em troca de apoio político– e na operação Lava Jato, que investigou desvio de recursos, cobrança de propinas a empreiteiras e superfaturamento, tendo a Petrobras como centro do escândalo.

Os 2 casos estouraram nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, e de Dilma Rousseff, em 2014 –ambos do PT. Delúbio foi preso. Outros colegas de partido, como o ex-ministro José Dirceu, também cumpriram pena.

Na época do Mensalão, ele chegou a ser expulso do PT, mas voltou ao partido em 2011. Em 2012, foi condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha.

A soma da pena totalizava 8 anos e 11 meses. Ao julgar os embargos infringentes, o STF o absolveu de condenação por formação de quadrilha e a punição foi reduzida para 6 anos e 8 meses de reclusão.

Cumpriu 2 anos de pena, dos quais 1 ano e meio em prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica. O processo teve a relatoria do ministro Joaquim Barbosa, que se aposentou em 2014.

O ex-dirigente petista ainda não digeriu a atuação do magistrado, a quem chama de “desqualificado”. Em entrevista ao Poder360, faz críticas e diz que “não convidaria Joaquim Barbosa para jantar” em sua casa.

O ministro aposentado do STF ainda não decidiu se disputa a Presidência em 2026 pelo nanico Democracia Cristã. Delúbio ironiza a possibilidade: “Não estou vendo [a pré-candidatura] nem os eleitores”.

Ele afirma ser inocente e que pedirá revisão criminal. “Deixei um documento com a minha neta para que, se eu morrer e não pedir, ela possa pedir revisão criminal do Mensalão”, diz

Em 2016, o ex-tesoureiro do PT foi solto pelo STF depois de receber indulto natalino concedido em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff. Delúbio também foi condenado pela Lava Jato por lavagem de dinheiro e preso em 2018, mesmo ano da prisão de Lula.

Para ele, o modus operandi das investigações na operação “é filho, neto e bisneto do Mensalão”.

Em 2023, o STJ anulou a condenação por entender que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para processar e julgar as acusações contra ele.

Nesta entrevista, Delúbio Soares fala sobre o panorama político em Goiás, onde tenta um cargo eletivo. Afirma que uma de suas prioridades é aumentar a votação de Lula no Estado e ajudar a reelegê-lo no 1º turno, feito que o presidente nunca conseguiu.

Ele também critica o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) pela assinatura de um memorando com os Estados Unidos sobre terras raras, em março de 2026: “Você acreditou nesse memorando, que era um memorando para valer? Isso é uma papagaiada do governador”.

Delúbio ainda presta “solidariedade” ao líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), mas defende que as investigações do caso Master sejam aprofundadas.


Leia a íntegra da entrevista:

Poder 360 – Por que o senhor decidiu se candidatar a deputado federal?

Delúbio Soares – Sou pré-candidato aqui em Goiás a deputado federal primeiro: para ajudar o presidente a aglutinar pessoas na campanha. Eu, sendo candidato, vou aglutinar pessoas. Segundo, para ajudar o presidente Lula a governar, seja no Congresso ou na tarefa. Construir Goiás, ajudar Goiás a ter mais proximidade do governo federal, trazer benefícios para Goiás e desenvolver Goiás.

Nós, aqui em Goiás, somos grandes produtores de grãos. Mas vendemos grãos in natura. Isso é um grande produtor de proteína animal. Carne de boi e vaca. Carne bovina, carne de frango, carne de porco. Produzimos tudo isso aqui, mas vendemos in natura.

Temos que agregar valor aos nossos produtos. Os nossos minerais aqui, o cobre, o ouro, fosfato, o amianto, que ainda é explorado. Terras raras agora. Esses minérios todos estão sendo vendidos in natura para o exterior. Então nós temos que agregar valor aos nossos minérios.

Temos que retomar a energia em Goiás, que está parada. Essa empresa que está aqui em Goiás, chamada Equatorial, é uma lástima. Porque se você quer aumentar uma fábrica, se você quer aumentar um pivô, não tem energia. O sistema de distribuição de energia é antigo, é precário. E eles não querem renovar o cabeamento, os seus transformadores. Qual é o acordo que tem entre o governo estadual e a Equatorial? 

Precisamos desvendar esse convênio, esse acordo que tem entre eles, ou cassar a concessão da Equatorial. Ou eles mudam e dão condição de ter energia ou vou pedir a cassação a partir de fevereiro do ano que vem, se eu tiver condições de tomar posse no Congresso Nacional e quando eu terei força institucional para pedir isso. 

Hoje você não tem condição de trazer uma fábrica para Goiás porque não tem energia. E aqui nós produzimos muita energia em Goiás. É isso que eu quero fazer. Por isso eu sou pré-candidato a deputado federal. Educação com prioridade, hospitais de 1ª qualidade, postos de saúde.

As UPAs e outras instituições de saúde do Estado estão sendo privatizadas. Temos que parar com isso. O presidente Lula inaugurou 2 hospitais, financiou o funcionamento, terminou o hospital lá em Catalão, garantindo o funcionamento do hospital tanto em Catalão quanto lá em Rio Verde. 

E os governos desses locais são muito hostis ao governo federal. Mas mesmo assim, como a população não é hostil, e não importa se for hostil ou não, porque a população paga imposto, merece uma saúde de qualidade, merece uma escola de melhor qualidade.

Não importa quem são as pessoas, porque as pessoas que moram aqui precisam de uma boa educação, precisam de um bom transporte. O governo anterior, que acabou de sair, quem entrou é filhote dele [em referência a Daniel Vilela]. Não é filho de sangue, é filhote político. Temos que ter harmonia política.

Como está a movimentação política em Goiás?

Estamos movimentando o partido para ter uma boa votação do presidente Lula e aumentar a bancada federal. Estamos preparando a chapa majoritária, uma chapa que possa aumentar a votação do presidente Lula no Estado. A chapa não está organizada. Aliás, nenhuma chapa de Goiás está organizada.

Tem candidato a governador, não tem vice, etc. candidato a Senado também. A nossa perspectiva aqui é ter uma aliança ampla para a chapa majoritária da nossa federação com PT, PCdoB e PV, mais Psol e Rede, PDT e PSB. Esse é o trabalho que está sendo feito. Se vai concluir ou não essa aliança, o tempo vai dizer. Até o dia da convenção, as coisas podem mudar. 

Nós temos um pré-candidato a governador, que é o Luís César Bueno. O PSDB tem um pré-candidato, o ex-governador Marconi Perillo. O PL tem um candidato, o senador Wilder Morais. E o MDB tem um candidato, Daniel Vilela, que é o atual governador. Então, é mais ou menos isso. Tem 4 candidatos.

Esse é um quadro da disputa majoritária. E candidato a deputado federal tem mais ou menos 60 candidatos com chance de atingir a cláusula barreira. Eles têm chance de ter mais de 40.000 votos ou mais.

A nossa presidente, a delegada Adriana Accorsi, que é deputada federal, está consciente que nós temos condições de lançar 18 candidatos a deputado federal. Dezoito candidatos a deputados federais da Federação. Goiás terá 18 vagas.

A federação espera eleger quantos deputados então?

A Federação vai trabalhar para aumentar a bancada. Isso depende muito ainda de como vai ser o desempenho das campanhas majoritárias, nacionais. A campanha majoritária no Estado e o desenrolar a campanha.

Como está a discussão sobre o candidato da federação ao governo de Goiás? 

O PT sugeriu à federação o nome do ex-deputado estadual Luis César. Foi deputado por 4 mandatos, depois foi candidato a senador. E agora se colocou à disposição do partido, o partido sugeriu o nome dele para a federação, para os aliados e para o debate nacional, porque o Diretório Nacional do PT e a nossa federação gostam de dar palpite. Por enquanto, ele é o nome sugerido do PT de Goiás para a federação e para o Diretório Nacional.

Vamos aguardar. O Diretório Nacional não se posicionou ainda, não bateu o martelo. Tem muita gente que gostaria que a candidata ao governo fosse Adriana, muita gente gostaria que fosse a vereadora de Goiânia Aava Santiago (PSB). As duas por enquanto, têm declinado o convite.

Se o Diretório Nacional sugerir, junto com os partidos que estão formando a base do governo federal, não teria problema em mudar o candidato. Mas nós estamos oferecendo este candidato para disputar a eleição.

Há quem atribua essa indicação de Luis César Bueno ao senhor.

Olha, eu sou um filiado do Partido dos Trabalhadores. Sou candidato a deputado federal. Somente isso. O que as pessoas falam a meu respeito, eu não tenho condição de ficar contestando. Não vou contestar nada. Não afirmo que o Luís César é meu candidato. Ele é meu companheiro de batalha desde os anos 1980.

Há alguma perspectiva de a aliança ir para além da esquerda? Porque todos os partidos citados para compor são de esquerda ou centro-esquerda.

Trabalhamos aqui para isso. Eu batalhei muito por uma aliança com o ex-governador Marconi Perillo, com a federação PSDB-Cidadania. O PT tinha um acordo com ele apoiando a candidatura do presidente Lula e nós o apoiaríamos aqui para governador. Discutimos isso até ele dar uma entrevista em um jornal aqui de Goiânia, dizendo que essa possibilidade estava difícil porque o PSDB nacional não concordaria com essa aliança. Ele é um homem de partido. Praticamente, a conversa encerrou ali.

Isso foi quando?

No Carnaval deste ano, a gente conversou bastante. Eu venho conversando com o ex-governador Marconi desde 2021. Assim que o presidente Lula se tornou elegível, ele me procurou, nós conversamos sobre vários assuntos, perspectivas de aliança. Em 2022, não foi possível. Ele queria ser candidato a governador, nós pusemos apoio a ele, e depois ele desistiu e foi candidato a senador. Nós falamos para ele: ‘olha, se você quiser, na sua plataforma, apresentar apoio ao presidente Lula, nós retiramos a nossa candidata ao Senado, que é a Denise Carvalho (PC do B)’. E a Denise estava de acordo, toda a nossa federação estava de acordo.

Ele não concordou e falou: ‘não, eu vou fazer a campanha independente, tenho voto dos 2 lados’. Estava liderando bem as pesquisas. Aí, quando abriu as urnas, faltaram 175 mil votos para ele ultrapassar Wilder Morais, que é o atual senador. E a Denise teve quase 300 mil votos.

Matematicamente, [estaria eleito] se tivesse feito a aliança. Agora nós estamos falando com ele: ‘Se você defender o presidente Lula na sua campanha, nós o defenderemos aqui’. Porque o PT tem muito a oferecer, muita militância. E a militância, depois de um bom debate, acredito que concordaria na candidatura de Marconi Perillo. Mas como ele não quer defender Lula… Nós queríamos uma aliança formal. 

Agora, ele disse que não vota nem em Ronaldo Caiado (PSD) nem no candidato Flávio Bolsonaro (PL). Não sei o que ele está aguardando, disse que vota no Lula. Ele, a família dele… ele fala isso abertamente para todo mundo. Não estou contando segredo para ninguém.

Ele é um homem de partido. Se Aécio Neves (PSDB) for candidato, obviamente ele vai votar no Aécio, que é o partido dele. Então, não quer o nosso apoio, nós vamos trabalhar com quem quer ser candidato do nosso lado.

Pelo que o senhor está me falando então, vocês desistiram de insistir com Marconi Perillo?

Os partidos têm as convenções. Vai para a convenção com uma opinião, mas pode mudar até o dia da convenção. Pode ter mudança daqui até a convenção. Tanto na nossa quanto na do PSDB, quanto na dos outros partidos. Acredito que não terá mudança pelo clima que nós estamos vivendo aqui no Estado.

Sempre quis formar um palanque forte do presidente Lula em Goiás, e nós vamos construir esse palanque com os partidos democráticos. Poderia incluir nesse processo o PSDB, o Cidadania, uma parte do MDB, uma parte de outros partidos conservadores, poderia. Mas o MDB tem um candidato aqui, o PL não dá para ter uma aliança, Vários partidos aqui de Goiás poderiam estar fazendo parte da nossa aliança, que fazem parte da aliança nacional, total ou parcialmente. O MDB faz parte do governo, o PP faz parte do governo, o União Brasil idem.

A gente tem que ter uma convivência harmoniosa com todas as pessoas, todos os partidos fazem parte do governo aqui também em Goiás.

Conversa com o Republicanos? Ou não é possível?

É possível conversar, inclusive, com os filiados que não concordam com a decisão do partido local. Porque qualquer um desses partidos pode ter pessoas que apoiam o presidente Lula aqui em Goiás. Como disse, queremos aumentar o potencial dos votos do presidente Lula. 

A prioridade é essa então? 

É a prioridade número 1. A prioridade número 2 é trabalhar para que o presidente Lula resolva essa eleição no 1º turno, que ele ganhe a eleição no 1º turno. Sou do pensamento que é possível, com a experiência que eu tenho na eleição nacional. O clima hoje para a campanha do presidente Lula é mais aceitável do que 3 anos atrás. 

Também é possível melhorar a votação da nossa chapa de deputados. Com a chapa de deputados estaduais, é a mesma coisa. Então, há um quadro, há um clima melhor para a nossa candidatura.

Aqui, vamos ter 3 candidatos a disputar voto: você tem o candidato da extrema-direita, dos conservadores, Flávio Bolsonaro. Tem outro conservador também, Ronaldo Caiado, e o presidente Lula, a candidatura de centro-esquerda. E se tiver mais candidato, o Romeu Zema (Novo), o candidato do Missão [Renan Santos]…

Ainda sobre a questão envolvendo o candidato do PT ao governo de Goiás: quando foi a última vez que o senhor conversou com Edinho Silva? O senhor conversa toda semana com ele?

Não, quem conversa toda semana com ele é a presidente do partido em Goiás. Eu só sou candidato a deputado. Tenho que cuidar sabe de quem? Dos eleitores. É a Adriana que conversa com Edinho. E as decisões que ela encaminhar, eu voto com a relatora. Eu já estou com o espírito do Congresso.

E se o PT nacional tomar uma decisão, o Edinho tomar uma decisão, voto com o relator também. Não tem nenhum problema quanto a isso. O partido tem que ter unidade nessa direção.

Mas eles deram prazo para definir quem vai ser o candidato?

Não, não tem prazo. Estão discutindo. Quer dizer, até as convenções, mas por enquanto é a pré-candidatura de Luís César.

Quando foi a última vez que o senhor esteve com o presidente Lula? Ele pretende gravar algum vídeo para o senhor?

Não pedi vídeo para ele porque é o seguinte: se ele decidir gravar vídeo para deputado, eu vou solicitar. O presidente tem que gravar vídeo para ele, eu quero elegê-lo. É importante eleger uma bancada grande.

Minha relação com o presidente Lula é muito fraterna. Eu tenho encontrado com ele muito fraternalmente, mas não preciso ficar falando com o presidente toda hora para as pessoas acharem que eu tenho uma relação privilegiada. Eu não quero isso.

O presidente da República, e eu já falei isso na CPI, tem que ser amigo dos mais de 200 milhões de brasileiros. Sou amigo do presidente. 

Temos que acabar com esse negócio de amigos e inimigos. Na política não tem inimigo, nós temos adversários. Esse negócio de tratar a política no último período como foi tratada como inimigo, não leva a lugar nenhum. 

Em 2006, o maior adversário do presidente Lula era Geraldo Alckmin, que falou muita coisa dele. E o maior defensor do presidente Lula fora do PT era Valdemar da Costa Neto, presidente do PR na época. O que aconteceu? O maior defensor do presidente fora do PT é o presidente do partido que lidera a oposição ao presidente agora. Mas Valdemar não virou inimigo nosso. Não fiquei inimigo do Valdemar. Nós somos adversários políticos. 

O ex-governador Geraldo Alckmin, que era o maior ferrenho de oposição a nós, hoje é um aliado firme do presidente Lula. É o vice-presidente e, aliás, está fazendo um excelente trabalho. Então, nós temos que tratar a política como ela é. Por isso que eu sou fã do Nelson Rodrigues. A política como ela é, não como eu gostaria que fosse. Essa política do ódio não leva a nada.

O ódio não constrói, só destrói as pessoas. Você ter ódio de uma pessoa é você tomar um veneno, que endurece o seu coração e atrapalha a sua mente, achando que seu inimigo vai morrer. Os antigos já diziam isso. Isso é bobagem. Não podemos ter ódio. Podemos ter divergência.

Podemos não concordar com as propostas, isso é natural da política. Nós não podemos ir nessa política que os ‘miolos de pote’ tentaram implementar de 2018 para cá, que foi a eleição do presidente ‘miolo de pote’ [em referência a Jair Bolsonaro], para não falar o nome. 

Como o senhor é um quadro histórico do PT, eu queria perguntar sobre um assunto que tem sido tema hoje na imprensa, como um todo, envolvendo o Banco Master e Jaques Wagner, que foi alvo de uma operação da Polícia Federal. O senhor avalia que essa operação, tendo o líder do Governo como alvo, atrapalha a estratégia do PT de associar Flávio Bolsonaro ao caso? O que o senhor pensa disso?

Há uma operação em curso. Eu já vivi uma situação difícil, vamos chamar assim, delicada, né? Não, difícil, delicada. Quando você sobrevive, está vivo, está com saúde, bem, não importa as intempéries do tempo. Teve uma busca e apreensão hoje. Eu vi muito pouco, que eu estou desde cedo correndo. Estava em Anápolis para conversar com os amigos. Estou articulando e buscando novos amigos para a campanha, conversando com lideranças, vereadores e ex-vereadores. Trabalhando nessa direção.

Fui e vi as matérias, as manchetes de jornal. A operação do Banco Master tem que continuar. Tem que saber quem é quem, como é que vai fazer. Para mim, se tem gente vinculada ao nosso partido, as operações têm que esclarecer, têm que dar o direito ao contraditório, assim como estão dando o direito ao contraditório ao senador Flávio.

Então, para mim, não há nenhum problema. É natural da política. Eu que vivi duas grandes operações, que foram uma mentira contada. Esse caso do Banco Master é de outra natureza. A operação do Mensalão tinha nome, endereço e como foi feita a operação. Depois de muito tempo, foi esclarecida.

Ninguém queria que esclarecesse a denúncia do Roberto Jefferson, que era falsa. Ele fez uma denúncia falsa de que o PT usava R$ 30.000 para comprar deputados para votar com o PT. Isso não é verdade, ficou provado, não teve um documento que comprovasse isso, não teve um depoimento de nenhuma das testemunhas, tanto de acusação quanto de defesa, nem o réu denunciante perante o juiz. Ele disse que o dinheiro do PTB era para pagar dívidas eleitorais de campanhas do pleito anterior. Foi o que eu sempre falei, sempre mostrei isso, contei documento nas minhas alegações finais. 

Meu advogado foi ao STF, que entendeu que a tese do Ministério Público é que ele devia julgar. E julgou e condenou a gente, condenou muitas pessoas. Eu digo para todo mundo: uma mentira contada várias vezes, ela não vira verdade, mas ela torna a vida difícil. No caso do Banco Master, são documentos que estão aparecendo. E quem estiver envolvido no Banco Master vai responder. Vai responder de acordo com a ação que tem, como todos temos o direito de responder. 

E aí era um banco que pegou dinheiro do servidor, a maioria dos fundos de pensão e aplicou com vários políticos do Brasil. Todos os políticos que estiverem envolvidos, cada um vai responder da sua maneira. O Flávio vai responder de uma maneira, o Ciro Nogueira (PP) de outra. Agora, essa denúncia contra o Jaques Wagner, ele tem experiência, deverá saber como vai responder e todo mundo, cada um, vai responder. Seja quem for, de qualquer partido. 

Se tem irregularidade, vai mostrar irregularidade. Aqui em Goiás também, o governo, as pessoas do governo estadual estão envolvidas. O candidato Marconi Perillo, a denúncia é que recebeu R$ 14 milhões. Ele alegou que foi contratado, prestou o serviço. Ter relação com o banco não é crime nenhum.

Qualquer político tem relação com o Itaú, tem relação com o Bradesco, com o Banco do Brasil, Caixa Econômica… todo mundo tem conta bancária. E aí as contas, cada um sabe o que fez. Essa operação, eu vejo falar pelos jornais. Não acompanho em detalhes porque eu não estou envolvido em nenhum processo. Para você ter ideia, eu fiquei 20 anos sem conta bancária. Eu ainda nem sei usar o cartão de crédito, eu estou reaprendendo essa modernidade. Não consigo usar o Pix. Até hoje eu não aprendi a pagar por Pix no celular. Minha conta foi restabelecida no começo do ano passado.

Consegui restabelecer meu direito político e a elegibilidade. Então, resolvi todos os meus problemas jurídicos. De lá para cá, eu nem sabia que existia o Banco Master. Só sabia de propaganda mesmo.

Não tive nenhuma oportunidade de conhecer o presidente do Banco Master [em referência a Daniel Vorcaro], porque eu estava fora da política. Esse banco era mais um banco político. Acho que todas as denúncias têm que ser apuradas e cada um responde de acordo com a legislação brasileira.

O senhor avalia que Jaques Wagner deveria se afastar do cargo de líder do Governo no Senado para responder a essas questões?

As decisões são do senador e ele toma as que ele achar mais importante com a defesa dele. Jaques Wagner tem toda a minha solidariedade, mas ele vai responder. Eu não vi os argumentos dele, o que aconteceu, como foi. Ele é uma pessoa experiente, já foi deputado várias vezes, foi governador do Estado e é senador da República. Ele tem condição de responder e eu tenho plena confiança no senador Jaques Wagner.

O PT emitiu uma nota também nessa linha de solidariedade a Jaques Wagner. Mas teve um congressista do PT que falou que ele deveria se afastar do cargo: o deputado Rogério Correia (PT-MG).

Não vou comentar a opinião de cada parlamentar. Porque ele também é parlamentar.

Sobre as terras raras: Ronaldo Caiado chegou a assinar um memorando envolvendo os Estados Unidos.

Você acreditou nesse memorando, que era um memorando para valer? Isso é uma papagaiada do governador. Ele foi deputado federal várias vezes. Foi senador, foi governador e ele sabe que, sobre o subsolo brasileiro, a Constituição diz que é de responsabilidade da União. Ele não tem condição nenhuma de assinar nenhum memorando e os americanos sabem disso. 

Estive lá na Serra Verde, na mina, e todo mundo sabe que aquilo foi um gesto de propaganda para facilitar a pré-candidatura do ex-governador Ronaldo Caiado à Presidência.

Por parte da legislação brasileira, esse documento não vale nada, é um documento nulo. Não tem o menor respaldo jurídico. As pessoas mais conservadoras acham que falando, vira lei. Não tem aqueles que fizeram aquela confusão no 8 de Janeiro, achando que estavam com razão? ‘Nós fizemos isso para salvar o Brasil’. Salvar o Brasil de quê? O povo tomou uma decisão. 

Quando nós perdemos a eleição, em 2018, eu estava lá em Curitiba. Não pude votar. Eu e outros. Inclusive o presidente Lula. Eu estava lá no CMP e o presidente Lula estava na Polícia Federal. Quando teve o resultado eleitoral, nós não reclamamos, não autorizamos ninguém a sair para a rua dizendo que não reconhece o resultado, que teve fraude. O nosso candidato a época, Fernando Haddad, reconheceu o resultado. 

E agora fica com essa mentira, essa papagaiada com urna eletrônica. Quando ganha, serve. Quando elege senadores, serve. Mas quando elege o presidente da República que não é do gosto deles, não serve. E a mesma coisa fez o Ronaldo Caiado aqui com essa papagaiada. Ninguém acredita nisso.

A coisa que mais prejudica as pessoas no Brasil hoje são as fake news. Eu estou com aquele ditado antigo: uma mentira contada várias vezes não vira verdade, mas ela prejudica as pessoas. E a mentira não vive o suficiente para envelhecer. Uma hora ela é desmascarada. Foi desmascarada no Mensalão. Onde está o Joaquim Barbosa hoje, que era o todo poderoso daquela época com as mentiras que ele fez no julgamento? Julgando por capa de jornal, e não pelo conteúdo do processo.

O julgamento do Mensalão foi uma farsa na sua visão?

Não tinha prova contra os condenados no Mensalão. A operação Lava Jato, a mesma coisa. O juiz da 13ª Vara de Curitiba [em referência a Sergio Moro], auxiliado pela Força Tarefa, pelo grupo da Polícia Federal, condenou várias pessoas e todas elas foram inocentadas pelos erros da operação. Tentaram desmoralizar o Brasil para vender o Brasil para os americanos.

Ali, aquele juiz tinha conluio com os americanos para acabar com a indústria naval brasileira, para acabar com a indústria nuclear brasileira e com as empresas da construção civil. Não sei se você viu aí a vergonha que nós passamos no contrato que o presidente Lula fez para construir o túnel Santos-Guarujá. Não teve uma empresa brasileira que tinha documentação para isso.

Tivemos que trazer uma empresa estrangeira para fazer aquele túnel que não é muito grande. Fizemos o Canal do Panamá, reestruturamos o Iraque, reestruturamos Lisboa, fizemos o aeroporto de Miami. O projeto de Três Gargantas, na China, foi feito pelas empresas brasileiras que têm especialização nisso [o Brasil forneceu conhecimento técnico].

Tentaram acabar com a nossa Construção Civil, que era uma das maiores do mundo e foi destruída na operação Lava Jato. Então, isso tudo nós temos que combater para não se repetir.

O senhor falou em Joaquim Barbosa. O Democracia Cristã quer que ele dispute a Presidência. Como o senhor vê essa pré-candidatura?

Não estou vendo nem os eleitores, tanto é que está alto nas pesquisas, né? Li pelo jornal. Agora, esse ex-ministro é um desqualificado. Eu ajudei, batalhei muito para ele ser indicado e depois ele cometeu aquele erro jurídico. Ele renunciou por um erro jurídico. Você já viu um presidente do STF renunciar à presidência e pedir aposentadoria? 

Inclusive os juristas de direita, como o Ives Gandra, falaram que ele estava errado, mas não reconheceu o erro. Perdeu por 10 a 1. Ele pegou, renunciou. Igual ao desenho animado da Pantera Cor de Rosa, saiu pela direita. Ele saiu pela porta dos fundos do STF, correu, foi morar em Miami, e agora diz que está voltando. 

Quero ver se ele volta mesmo e disputa as eleições, participa dos debates. É bom todo mundo saber quem é Joaquim Barbosa, que tinha um currículo espetacular. Sugerimos ao presidente Lula para que ele fosse o nosso ministro. O presidente não queria anunciar um afrodescendente, mas o nomeou e depois ele fez tudo o que fez de errado, perseguição política, chamado hoje de lawfare. 

O ex-juiz da 13ª Vara de Curitiba copiou todos os erros do Mensalão e aplicou na Lava Jato. Aí quebrou a indústria nacional, a indústria de base, quebrou a indústria naval e botou gente na cadeia, injusta e ilegalmente, além de aplicar multa.

Fui condenado novamente na Lava Jato e a minha condenação é esdrúxula. Fiquei 2 anos em Curitiba: um ano no regime fechado e outro ano de tornozeleira. Eu recorria, recorria, o STF não tomava nenhuma providência e quando começa a tomar, decidiu que não podia ser preso em 2ª instância. Saio em liberdade no mesmo dia que o presidente Lula. Em 2024, consegui provar que todas as minhas condenações do Mensalão tiveram erros. 

Eu vou pedir revisão criminal após o período que eu achar necessário, inclusive deixei um documento com a minha neta para que, se eu morrer e não pedir, ela possa pedir revisão criminal do Mensalão. Outros que foram condenados no Mensalão também vão pedir. Mas, no momento, temos que aguardar a distensão, baixar a temperatura. 

Três ou quatro anos atrás, o ministro Dias Toffoli deu uma declaração que sabia que pessoas eram inocentes, mas tinha que condenar para diminuir a pena. Outros ministros também disseram que julgaram com pressão da imprensa. Tudo isso leva à nulidade do processo porque julgaram por capa de jornal. Não tinha uma prova. Você já viu um processo criminal que não olha o relatório da Polícia Federal? Mais de 200 mil folhas. ‘Não teve compra de voto’, foi a conclusão da PF. Se tivesse crime, tem a Justiça Eleitoral para isso. Mas o Supremo Tribunal Federal estava impactado pelas notícias.

Todos os demais crimes imputados a mim, que eram 144 processos, eu fui inocentado de todos e hoje estou à disposição da população de Goiás para essa eleição.

Onde estamos hoje? José Dirceu, João Paulo Cunha, Delúbio Soares e outros. Onde está o Roberto Jefferson? Os denunciados estão aqui colocando a cara para discutir com a população. E onde está o denunciante? Escondido. E quando a polícia vai atrás dele, ele atira na polícia. 

Ando aqui em Goiás, em tudo quanto é lugar. E vou nos lugares onde o povo fala que é bolsonarista. Ninguém me xinga, ninguém me ataca. Tem uns que olham com cara feia. Cara feia não tem nenhum problema, mas ninguém me ofende.

Agora, há os provocadores, mas são a minoria. Não precisamos ter medo de andar na rua. Andamos na rua de cabeça erguida. 

Aliás, quero te falar: quando nós saímos da cadeia, um advogado cedeu a casa dele para a gente fazer um jantar de comemoração. Era 2019. Ele [Lula] saiu lá da Polícia Federal e eu estava tirando a tornozeleira. Lá, o presidente Lula falou comigo: ‘Delúbio, você que tem mais experiência que eu de sair da cadeia, o que é que nós vamos fazer?’ Eu falei para ele que só tinha um caminho, que era andar de cabeça erguida, ouvir e conversar com as pessoas. Estávamos eu, ele, a Janja e a Mônica [Valente, mulher de Delúbio].

O senhor citou Joaquim Barbosa. Em 2022, ele anunciou o apoio a Lula na eleição contra o então presidente, Jair Bolsonaro.

Isso é problema dele. Eu não tenho raiva nem ódio de ninguém, mas eu não convidaria Joaquim Barbosa para jantar na minha casa.

Pelo que o senhor me falou, então, no seu entendimento, o modus operandi da Lava Jato é “filho” da atuação de Joaquim Barbosa no Mensalão?

É filho, neto e bisneto do Mensalão, de toda atrocidade do Joaquim Barbosa, que levou o STF àquela condução. Se você perguntar a qualquer ministro que atuou naquela ação, vai ver o exagero que foi. Os que estão na função não podem falar isso hoje, mas vão falar depois dos 75 anos de ação. Eu tenho certeza, porque ministro que já está no cargo, que é o Toffoli, admite que votou sabendo que estava condenando inocente, mas tinha que diminuir a pena.

Lembra quando foi julgado? Como é que foi o espetáculo? O espetáculo de manhã, à tarde e à noite. Todos os meios de comunicação respaldando. Não tinha como a gente não ser condenado. Infelizmente, eu fui condenado. Paguei a pena, cumpri todas as decisões do STF. Acredito na Justiça. Posso discordar da ação das pessoas que operam na Justiça, dos homens que participam do Judiciário. Ainda bem que o Judiciário, de um tempo para cá, começou a mudar de concepção. Mas foi um período longo, um período difícil para nós.

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