O senador e ex-ministro da Agricultura e Pecuária Carlos Fávaro (PSD-MT) disse neste sábado (20.jun.2026) que o governo federal vai evitar o veto da UE (União Europeia) às exportações de carne brasileira, oficializado pelo bloco em 5 de junho.
Segundo Fávaro, o Palácio do Planalto atua para resolver o problema até 3 de setembro, data em que a medida entra em vigor oficialmente. O senador foi ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até março deste ano. Apesar de ter deixado o governo para concorrer à reeleição, o ex-ministro ainda mantém bom trânsito no Executivo.
“Eu falei com o presidente, o ministro [da Agricultura atual] André de Paula falou, e a gente vai deixar resolvido mais esse obstáculo que tentam colocar na produção brasileira”, disse Fávaro a jornalistas durante evento de inauguração da Ferrovia do Mato Grosso, em Dom Aquino (MT).
A UE anunciou em 12 de maio que excluirá o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina e de frango ao bloco, sob a justificativa de que a indústria brasileira não apresentou informações exigidas pela Comissão Europeia que assegurem que a carne e outros produtos de origem animal cumprem os requisitos da UE sobre antimicrobianos.
A legislação da UE proíbe o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais. Segundo Fávaro, a cadeia produtiva nacional já concordou em banir o uso dessas substâncias. O senador também disse ter levado a sugestão ao presidente Lula.
“Quanto ao uso de probióticos, é uma questão técnica. Falando com toda a cadeia produtiva, nós não temos nenhum problema em retirar. Se é isso que o comprador exige, nós vamos retirar. É essa a recomendação que fiz ao presidente Lula”, disse o ex-ministro.
Fávaro defendeu que a decisão da Europa de vetar a carne brasileira é uma tentativa de competir com o mercado nacional e que a pecuária do país é reconhecida mundialmente pelas boas práticas sanitárias.
“Cada vez mais, os países do mundo têm dificuldade de competir com os produtos da agropecuária brasileira. Ninguém consegue competir e ficam buscando barreiras sanitárias, barreiras ambientais. O Brasil ganhou excelência na produção. É reconhecido mundialmente pela própria Organização Mundial de Saúde Animal como uma referência de sanidade animal e também nós somos referência na sanidade vegetal. Não precarizamos isso”, declarou.
O jornalista viajou a convite da Rumo Logística.
