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Lula diz não ter conversado com Trump no G7 sobre tarifas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta 4ª feira (17.jun.2026), que não conversou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), sobre a aplicação de tarifas ao Brasil, durante a cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França.

A ida de Lula ao G7 só foi confirmada após o anúncio de que o governo norte-americano cogitava aplicar tarifas extras sobre produtos brasileiros. O petista havia dito inicialmente que não tinha interesse em ir à reunião de cúpula, mas mudou de ideia.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. Nem ia, mas agora eu vou no G7”, declarou em 3 de junho, dois dias após o anúncio do governo norte-americano. No entanto, o brasileiro não teve oportunidade para discutir o tema com Trump.

Na entrevista coletiva à imprensa, Lula disse não ter solicitado uma reunião bilateral com o norte-americano porque as negociações sobre as tarifas de 25% que o país estuda impor ao Brasil continuavam em andamento. Segundo o presidente, os governos dos 2 países mantêm tratativas por meio dos ministros responsáveis pela área comercial.

O petista disse ainda considerar a decisão do governo Trump de anunciar, em 1º de junho, o plano de aplicar tarifas contra produtos brasileiros uma medida “desaforada” e voltou a criticar a postura do republicano nas relações internacionais.

“Não pedi bilateral com Trump porque nós estamos em negociação. Acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil e ele sabe disso”, declarou a jornalistas em coletiva em Genebra (Suíça), após o fim de sua participação na cúpula do G7.

Crítica à classificação de facções como “terroristas”

O presidente brasileiro também criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações “terroristas”. Segundo Lula, os grupos atuam com objetivos financeiros e não buscam substituir a atuação do Estado.

Lula afirmou que entregou documentos ao presidente norte-americano durante o encontro deles em maio. Segundo o petista, os textos tratavam do combate ao crime organizado, da cooperação policial entre os 2 países e do acordo nuclear negociado com o Irã em 2010.

As declarações foram dadas depois de Trump confirmar que conversou com Lula durante a reunião do G7. O republicano afirmou que o Brasil vive uma situação política “perigosa” e classificou o país como “uma bagunça”. 

Ao comentar a condenação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Trump o confundiu com seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e disse que “prenderam um Bolsonaro” que aparecia bem posicionado nas pesquisas eleitorais.

Em resposta, Lula afirmou que Trump conhece pouco a realidade brasileira e sugeriu que a visão do norte-americano é influenciada pela proximidade com a família Bolsonaro. “Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil”, disse.

O petista também rebateu críticas ao sistema eleitoral brasileiro e afirmou que os Estados Unidos poderiam aprender com o modelo de urnas eletrônicas adotado no país. “Se tem alguém que precisa aprender com as eleições civilizadas no Brasil, é o meu amigo Trump. Na próxima vez vou levar uma urna eletrônica para mostrar a ele como funciona”, declarou.

Lula ainda pediu que o presidente norte-americano respeite a soberania brasileira e não interfira na disputa eleitoral de 2026. “Não se meta nas eleições do Brasil, porque é um problema do Brasil. Assim como as eleições americanas são um problema dos Estados Unidos”, afirmou.

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