O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou nesta 4ª feira (17.jun.2026) que o aumento do eleitorado indeciso será o fator decisivo para derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual 2º turno. Em entrevista a jornalistas em Brasília, o goiano avaliou o cenário apontado pelas pesquisas eleitorais recentes.
Segundo Caiado, os eleitores que deixaram de apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não transferiram seus votos diretamente para outros nomes da oposição. Em vez disso, migraram para o grupo dos que se declaram independentes ou indefinidos, o que permite criar um patamar de igualdade entre as demais candidaturas que buscam se consolidar como terceira via.
Para o ex-governador, é exatamente essa parcela flutuante da população que definirá a eleição. Ele defendeu a necessidade de mostrar a esses eleitores quem tem o melhor perfil e experiência de gestão para conquistar os votos no 2º turno, e garantir, assim, a força política para superar o PT na rodada final do pleito.
ANÁLISE DOS NÚMEROS
Ao ser questionado sobre possíveis críticas ao desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-governador negou qualquer viés de ataque e reforçou que se trata de uma leitura estatística do cenário político atual. “Eu não critiquei, eu fiz um relato da pesquisa. O que eu interpretei foram números. Eu disse: ‘Olha, realmente provocou uma perda ali, tanto no voto, como também houve um aumento da rejeição’. Então, isso é pesquisa, não é crítica a ninguém”, ponderou.
Para Caiado, a oposição precisa encontrar um nome competitivo que evite um cenário favorável aos planos do atual mandatário. “O que eu disse é que nós precisamos de entender qual é o candidato que não vai fazer o jogo do Lula. Porque o Lula, sem dúvida nenhuma, quer trabalhar para que ele amanhã possa ter alguém que seja mais confortável para ele, que tem o número [de votos] suficiente para atravessar o 1º turno. Mas, chegando ao 2º turno, sem dúvida nenhuma, o Lula teria ali as condições de poder ter a perspectiva de ganhar uma nova eleição. Isso é um desastre para o país, o PT ser eleito”, declarou.
DISPUTA NA 3ª VIA
Cobrado por integrantes do próprio partido sobre seu desempenho nas pesquisas em relação a novos nomes da direita, como Renan Santos (Missão), o goiano descartou qualquer mudança drástica na condução de sua pré-campanha e defendeu sua trajetória histórica. “Popularidade oscila. Agora coerência, história, exemplo de vida, credibilidade moral, capacidade de governar (…), isso tudo é o que me consagrou com 88% [em Goiás]. Esse é o meu estilo. Eu não tenho que copiar o estilo. Se eu mudar, eu deixo esse papel”, rebateu.
Caiado também minimizou os rótulos ideológicos de ala do PSD que o posiciona na extrema-direita. “Vamos deixar rótulos ao lado e vamos discutir temas. Onde é que tá o extremismo na minha posição? Onde é que eles estão?”, questionou, reafirmando-se como um político de direita, mas ponderado. “Eu sou um homem que sei governar, tenho equilíbrio, tenho conhecimento, tenho responsabilidade política. Eu sou de direita, sim, mas eu nunca deixei de ser”, concluiu.
POSICIONAMENTO NO 2º TURNO
Perguntado se manteria o apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno contra o presidente Lula, mesmo diante de especulações sobre migração de votos, Ronaldo Caiado preferiu adotar uma postura cautelosa e pediu paciência em relação ao calendário eleitoral.
“Sim, nós ainda não chegamos lá ainda. Vamos aguardar o 4 de outubro, tá certo? E o que se tá… como se diz em Cuiabá, você tá passando o carro adiante dos bois. Vamos aguardar o que se decide”, desconversou o ex-governador, evitando cravar alianças definitivas antes do encerramento da primeira etapa da votação.
